Sem-terra acampam em frente a sede do Incra no MS em protesto contra venda de fazenda ao reverendo Moon
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de setembro de 1999
Por João Naves de Oliveira, especial para a AE 
Campo Grande, 13 (AE) - Cerca de 600 trabalhadores sem-terra acamparam hoje pela manhã em frente ao prédio do posto avançado do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Jardim, cidade a 265 quilômetros a leste de Campo Grande. Os sem-terra protestam contra a venda da Fazenda Figueira para o reverendo Moon. Eles reivindicavam a área para assentamentos da reforma agrária. Através de uma seita, dizem os sem-terra, o reverendo Moon já teria adquirido 35 propriedades no município sul-mato-grossense.
Segundo a chefe do posto, Iara Rúbia Gonzaga, a fazenda estava sendo negociada pelo Incra com seu proprietário, Apolinário Dantas e o Incra. No entanto, sem qualquer razão aparente, afirmou, o dantas teria desistido de negociar com o instituto e iniciado conversações com o reverendo. Dantas já havia oferecido o imóvel ao Incra, tendo inclusive permitido a permanência de 130 famílias sem-terra na área desde 1997. Os sem-terra pretendem permanecer no local até amanhã (14), quando ameaçam invadir o prédio para reforçar o protesto pela volta das negociações com o fazendeiro.
Bloqueio - Em Nioaque, na mesma região e a 210 quilômetros da capital, 200 assentados do Incra impediram que a agência do Banco do Brasil na cidade funcionasse durante todo o dia de hoje. Eles estão reivindicando os pagamentos dos créditos que o instituto deveria ter repassado ao grupo no início do ano. Por volta de 8 horas da manhã eles tentaram invadir o prédio do banco, mas os funcionários deixaram o local e fecharam as portas. Os assentados armaram barracas e estão dispostos a só deixar o lugar depois que receberem o crédito agrícola contratado com o órgão.


