Sem-terra acampam em frente à sede do Incra em Fortaleza
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Por Rodolfo Spinola 
Fortaleza, 17 (AE) - Um grupo de cerca de 450 trabalhadores sem-terra está acampado desde a madrugada de hoje em frente ao edifício-sede do Incra na avenida José Bastos, em Fortaleza, para a partir de segunda-feira reiniciar as negociações sobre a desapropriação de quatro fazendas - São José
em Ocara, Ladeira, em Quixeramobim, Guanabara, em Quixadá e Moitas, em Amontada. Segundo Maria da Paz Feitosa, da direção estadual do MST, "não temos data para sair daqui, porque não concordamos com este projeto "Novo Mundo Rural", proposto pelo Governo Federal, que só beneficia os latifundiários. Ele é uma cópia do projeto "Cédula Agrária",do governo cearense".
Segundo ela, "trata-se de mais uma armadilha contra os trabalhadores rurais, porque em última análise, o que esta sendo proposto é uma espécie de reforma agrária de mercado, onde os menos beneficiados serão os agricultores". Hoje à tarde os manifestantes participaram de um ato ecumênico para lembrar os 19 mortos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, e protestar contra a impunidade dos seus autores.
Para a avenida José Bastos, onde o trânsito foi desviado nas proximidades do Incra, a Polícia Militar deslocou uma tropa de choque para impedir uma eventual tentativa de invasão. Os manifestantes descartaram qualquer intenção de ocupação do prédio, garantiu Vilanice Oliveira, também da direção estadual, ao revelar que "na segunda vamos tentar encontrar uma solução para libertarmos três companheiros presos em Amontada desde setembro, depois de participarem de um choque com a polícia".


