Sem-terra acampam em frente a agências do BB no Pontal
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Luiz Carlos Lopes Agência Estado Teodoro Sampaio 
Cerca de 400 trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) acamparam ontem pela manhã em frente às agências do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio e Santo Anastácio, no Pontal do Paranapanema (SP). Os sem-terra protestam contra a demora na liberação de recursos no valor de R$ 3,7 milhões para a implantação de um laticínio em Euclides da Cunha e um complexo agroindustrial para beneficiamento de grãos, em Teodoro Sampaio. Apesar do protesto, os estabelecimentos funcionaram normalmente, mas poderão ser bloqueados a partir de hoje, anteciparam líderes sem-terra.
Também a agência do Banco do Brasil de Rancharia, interior do Estado, foi alvo de protesto de outros 40 sem-terra ligados ao MST. Os trabalhadores exigem a liberação de recursos para custeio agrícola no valor de R$ 9 mil, para atender a nove famílias acampadas (R$ 1 mil para cada uma), que não obtiveram empréstimo por estarem em situação irregular em financiamentos anteriores. Os sem-terra deveriam levantar acampamento no final da tarde.
Bloqueio Em Teodoro Sampaio, a manifestação que incluiu o uso de seis tratores para impedir o trânsito na via pública, foi liderada por Diolinda Alves de Souza, mulher do líder José Rainha Júnior. À tarde, Diolinda disse que a partir de hoje as agências de Teodoro e Anastácio poderão ser bloqueadas, caso o banco não autorize a liberação imediata dos recursos. O empréstimo, segundo Diolinda, já foi aprovado pela Comissão Estadual do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera) e está parado na superintendência do banco em São Paulo.
No entanto, o gerente da agência de Teodoro Sampaio, Ronald Allen Couter, disse que ainda não recebeu qualquer orientação de seus superiores sobre os financiamentos. De acordo com Couter, os recursos foram pré-aprovados pela Comissão Estadual do Procera, mas a liberação depende da conclusão do projeto técnico, inclusive com a aprovação das empresas, por diversos orgãos como Cetesb e Ibama.
No caso do laticínio, que deverá ser instalado em Euclides da Cunha, ainda não foi definido nem mesmo o terreno onde a unidade será construída. Segundo Diolinda, o protesto visa forçar a liberação do dinheiro antes do dia 20 porque após esse data os recursos não utilizados serão reincorporados ao Tesouro Nacional.


