Sem saúde, não há educação
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sábado, 29 de setembro de 2012
Fernanda Carreira <br>Reportagem Local 
''Agora, eu ajudo os professores no laboratório e acho bem melhor, porque não tenho todo aquele desgaste mental e físico que tinha em sala de aula.'' O depoimento da professora de Química do Instituto de Educação Estadual de Londrina (IEEL) Rute de Paula Dias se assemelha à história de dezenas de professores da rede estadual e evidencia um problema cada dia mais comum: o desenvolvimento de doenças físicas e emocionais decorrentes do nível de estresse a que os professores são submetidos. A consequência é um número cada vez maior de profissionais readaptados definitivamente ou afastados de suas atividades temporariamente.
Como aponta levantamento da equipe de perícia médica da Secretaria de Administração do Paraná, repassado ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, somente no ano passado, entre janeiro e agosto, foram expedidas 1.172 licenças médicas para tratamento de saúde dos professores de Londrina e outros 19 municípios jurisdicionados ao NRE, enquanto este ano, no mesmo período, o número subiu para 1.747 - aumento de 49%. Nesse mesmo período, o número de casos de afastamento da função totalizou 297 em 2011, enquanto em 2012 os casos passaram para 349 (17,5% a mais). Atualmente, o NRE conta com 5.373 professores na rede de educação básica.
O aumento dos números chama atenção para as péssimas condições de trabalho que os professores enfrentam diariamente e serviu de base para o projeto de pesquisa Pró-Mestre. O trabalho foi desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com o objetivo de analisar o estado de saúde e o estilo de vida dos professores da rede estadual de ensino, relacionando-os com aspectos do processo de trabalho.
O coordenador do projeto, professor Arthur Eumann Mesas, explica que a iniciativa de desenvolver o projeto surgiu após a constatação de que, apesar de seu relevante papel para a sociedade, poucos estudos apontavam, até então, para a importância da saúde do professor para uma educação básica de qualidade.
Ele explica que o grupo pretende identificar aspectos de saúde e de qualidade de vida dos professores e, com isso, contribuir para a produção de informações que possam subsidiar políticas públicas direcionadas à atenção à saúde e ao processo de trabalho desses profissionais. ''Conhecer o professor para além de indicadores de desempenho, como já realizado, é necessário para a elaboração de ações que visem à educação como um caminho para o desenvolvimento de uma nação'', entende o professor.
Segundo Mesas, o Pró-Mestre propõe uma análise compreensiva dos diversos fatores que podem explicar como e com que intensidade certos problemas de saúde comprometem a capacidade para o trabalho e a satisfação em professores.
A população do estudo é composta por professores do ensino fundamental e ensino médio da rede estadual de ensino de Londrina e as entrevistas com os professores tiveram início em setembro nas escolas. Inicialmente, foram selecionadas as 14 instituições com o maior número de professores de Londrina. No entanto, ele detalha que fontes de financiamento externo para o projeto já estariam sendo buscadas, para poder ampliar o estudo para todas as escolas estaduais de Londrina.
As entrevistas são realizadas por estudantes de graduação e pós-graduação da UEL. Os participantes responderão a um questionário com perguntas sobre suas condições de trabalho, temas relacionados à atividade física, condição de saúde, alimentação, dor, violência, sono e conhecimentos de saúde.
Serviço:
Outras informações sobre o Pró-Mestre no www.uel.br/pos/saudecoletiva/pro mestre ou pelo (43) 3371-2254


