Londrina – A Universidade Estadual de Londrina (UEL) pode reduzir o número de leitos e de atendimentos de urgência e emergência no pronto-socorro do Hospital Universitário por causa de um deficit crônico na operação da unidade, advertiu ontem a vice-reitora Berenice Jordão. "Estamos solicitando um reforço orçamentário para 2013, mas obtivemos uma resposta muito aquém da nossa expectativa. Mas vamos continuar buscando soluções", afirmou.
A reitora Nádina Moreno deve se encontrar hoje com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gomes, em Curitiba, para reforçar a solicitação. Outro tema que deve ser tratado é a falta de servidores na unidade, que hoje são repostos apenas em caso de morte e aposentadoria. A reitoria da UEL admite um deficit de 200 trabalhadores – a Associação dos Servidores da Saúde da universidade calcula que a falta é bem maior, de pelo menos 800. Neste caso, o grande obstáculo para a convocação de concurso público é o chamado limite prudencial para os gastos de pessoal do governo estadual. "Vamos ter que conviver com este problema por algum tempo", afirmou Berenice.
A cúpula da universidade está preocupada com a falta crônica de recursos e teme que se a situação perdurar a médio e longo prazos, até mesmo o custeio acadêmico seja sacrificado. Berenice e Nádia estão tentando recursos extras através de emendas parlamentares, que chegariam a cerca de 1 milhão, o que daria um novo fôlego para as finanças, pelo menos até o final do ano. Os deputados federais que representam Londrina já estariam tentando viabilizar mais verbas federais.
Enquanto isso, a reitoria já encomendou junto à direção do HU um estudo para saber quais são as possibilidades para se reduzir a diferença do que é gasto do que é repassado. "Só iremos diminuir o número de leitos se não houver outra alternativa", garantiu.
A vice-reitora não informou sobre o número de leitos e atendimentos realizados no hospital.

Pagamento
Cálculo da universidade aponta que os gestores municipais da saúde, responsáveis pelo repasse dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), deixaram de enviar cerca de R$7 milhões nos últimos quatro anos. A UEL quer cobrar o pagamento deste montante junto à prefeitura, que por sua vez reclama do não pagamento do Ministério da Saúde. O HU gasta R$350 mil a mais por mês do que recebe e, neste caso, cabe ao município pleitear o suplemento federal. "Somente no Centro de Tratamento de Queimados o deficit chega a R$120 mil", exemplificou.
O secretário municipal de Saúde, Francisco Eugênio de Souza, informou que a atual administração briga desde que foi empossada pelo aumento dos repasses federais para manter a gestão plena do município. O teto de Londrina atualmente para procedimentos de média e alta complexidades é de R$ 13 milhões e os gastos chegam a R$ 14,5 milhões.
"Ainda com este deficit estamos conseguindo saldar algumas dívidas com o HU do ano passado. Somente entre janeiro e setembro deste ano, o HU recebeu da gestão plena cerca de R$ 3,8 milhões a mais do que no mesmo período do ano passado", comparou o secretário. Nos próximos dias, a prefeitura repassará quase R$ 2 milhões ao HU.
A Prefeitura aguarda ainda o Ministério da Saúde baixar uma portaria que vai viabilizar mais recursos para os três principais hospitais da cidade – além do HU, a Santa Casa e o Evangélico. Serão recursos provenientes do programa Rede de Urgência e Emergência, que vai destinar cerca de R$900 mil a cada uma das unidades. "Há claramente uma perspectiva de aumento nos investimentos do HU e a situação vai melhorar", avaliou Souza.
Hoje a promotoria da Defesa da Saúde Pública realiza uma reunião no Ministério Público para mobilizar autoridades e representantes da sociedade civil. O promotor Paulo Tavares, que está organizando o encontro, quer formar um mutirão para salvar o HU. Ele enviou ofício à universidade solicitando informações detalhadas sobre a unidade.

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