Sem reajuste, servidores ameaçam greve geral
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de maio de 2015
Mariana Franco Ramos Reportagem Local 
Curitiba O governo do Estado adiou para a próxima terça-feira a apresentação do índice da data-base do funcionalismo. Com isso, a segunda reunião oficial entre membros do Fórum das Entidades Sindicais (FES), composto por 21 sindicatos, e da administração estadual para discutir o reajuste, realizada ontem no Palácio das Araucárias, em Curitiba, terminou sem um acordo. O FES ameaça promover uma greve geral caso a proposta não seja formalizada até a semana que vem. Os professores entram hoje no 17º dia seguido de paralisação.
"Esse índice já deveria estar na folha de pagamento, que está rodando agora. Tivemos várias reuniões e o governo ainda não tem condições de anunciar um índice?", questionou o professor Arnaldo Vicente, integrante da coordenação do FES. De acordo com ele, os trabalhadores esperavam ao menos a reposição da inflação do período, calculada em 8,17%. Vicente adiantou que, além dos docentes, outras categorias, como a dos agentes penitenciários e a dos trabalhadores do meio ambiente, devem promover assembleias nos próximos dias, podendo também cruzar os braços. O Estado possui mais de 182 mil servidores ativos.
Em entrevista concedida ontem em Brasília, onde acompanhou a sabatina do jurista Luiz Edson Fachin no Senado, o governador Beto Richa (PSDB) afirmou que o governo estadual está "dialogando"com o sindicato dos professores para a retomada imediata das aulas. "Nós continuamos com o diálogo, estamos confiantes de que o sindicato possa encerrar a greve, porque não dá mais para suportar esta situação", afirmou. Richa reiterou que o governo atendeu "praticamente com a integralidade dos itens que compõem a pauta de revindicações dos professores" e disse considerar a greve política.
Conforme a secretária da Administração e Previdência, Dinorah Nogara, a gestão atual ainda está estudando os índices. "Temos um ano bastante recessivo. Há uma grande preocupação quanto ao comportamento da receita corrente líquida. Por isso essa análise bastante determinada e importante da Fazenda. Mas existe um compromisso do governo do Estado no cumprimento da data-base", justificou.
Para a chefe da pasta, será preciso chegar a um meio termo, que considere tanto a questão política como a econômica. "O melhor comportamento financeiro seria naturalmente não se dar nenhum reajuste, mas há de se encontrar um equilíbrio entre uma reposição salarial e aquilo que seria o melhor percentual para o Estado", argumentou. O FES informou que ela chegou a interromper a reunião, a portas fechadas, para conversar por telefone com o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, e tentar assim adiantar alguns dados. Dinorah afirmou, contudo, que ligou somente para o chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, para acertar a data da próxima mesa de negociações.
Além da titular da Administração, participaram do encontro a secretária de Educação, Ana Seres Trento Comin, e dirigentes da APP-Sindicato. Enquanto as partes discutiam, cerca de mil manifestantes, entre eles docentes e educadores, fizeram um protesto no Centro Cívico, como forma de pressionar o Executivo a conceder o aumento. A FOLHA entrou em contato com a Secretaria de Educação (Seed) no início da tarde, solicitando um balanço da greve nas 2,1 mil escolas públicas estaduais, entretanto, não recebeu retorno até o fechamento desta edição.


