SEM PROTEÇÃO NÃO DÁ - Camisinha sai de moda e HIV faz a festa
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sábado, 05 de março de 2011
Luciano Augusto e Marian Trigueiros 
No país, 32 pessoas morrem por dia em decorrência da Aids. Na região Sul, são sete óbitos diários. Só no Paraná, são três mortes a cada dois dias. Os dados, referentes à 2008, são do portal da Aids do Ministério da Saúde. O mais alarmante é que os números têm aumentado a cada ano: só na última década, foram notificados 383 mil casos dos 592 mil acumulados desde 1980.
As autoridades alertam que o principal canal de contato é o sexual, resultado da falta de proteção principalmente entre mulheres jovens.
Apesar do avanço da medicina e dos tratamentos disponíveis, o comportamento de risco, principalmente sexual, ainda é a maior porta de entrada para o vírus HIV. Prova disso, é que pesquisa do mesmo Portal revelou que apenas 35,1% dos entrevistados usaram preservativos na última relação sexual com qualquer parceria. Na região Sul, o percentual é ainda pior: 36%.
Os índices caem ainda mais quando a pergunta muda para todas as relações com qualquer parceria: 20,6% no Brasil e 21,2% no Sul. Com a camisinha fora de moda quem tem feito a festa é o vírus HIV. Na tentativa de atingir as mulheres jovens, a campanha de Carnaval "Sem Camisinha Não Dá" do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde é voltada às mulheres com idades entre 15 e 24 anos, para que elas incentivem e exijam que seus parceiros usem preservativo.
O boletim epidemiológico 2010 aponta que na faixa etária de 13 a 19 anos, o número de casos de Aids é maior entre as mulheres: oito casos em meninos para cada dez casos em meninas. A coordenadora do programa estadual de controle de DST/Aids, Kathia Adriana Moreira, reforça a tendência de feminilização da Aids também no Estado, por causa do número cada vez maior de mulheres jovens infectadas.
Ela confirma que o não uso de preservativo entre os jovens é muito preocupante. "A camisinha está fora de moda. As meninas têm mais medo de engravidar, e a pílula resolve isso, do que se contaminar. Portanto, o mais importante é fazer com que os jovens entendam que o mais importante é a prevenção", comenta.
Por isso, a estratégia é distribuir preservativos masculinos para que as mulheres de 15 a 24 anos incentivem seus parceiros a se protegerem. Dos 84 milhões de preservativos masculino repassados pelo Governo Federal, o Paraná recebeu 2,6 milhões.
O Paraná tem 25.027 casos de Aids notificados, com predominância do sexo masculino (65%) em relação ao feminino (35%). Desde 2006, no entanto, a situação é invertida na faixa etária de 15 a 19 anos. Nos últimos quatro anos foram positivados 24 casos entre homens (31,16%) e 53 (68,83%) entre mulheres.
A região de Paranaguá é a que apresenta a maior incidência de casos: 30,52 casos/100 mil habitantes, em 2010; em segundo vem Foz do Iguaçu, com 16,71/100 mil habitantes; na região metropolitana de Curitiba, a relação é de 11,83/100 mil habitantes.
ELAS SE CONTAMINAM MAIS COM PARCEIRO EXCLUSIVO
Em Londrina, deverão ser distribuídos mais de 70 mil preservativos masculino nos quatro dias de folia. O número parece pequeno para uma população de mais de 500 mil pessoas, mas a Secretaria Municipal de Saúde tem mais 72 mil unidades nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). "Certamente não faltará", garante a gerente do Programa Municipal de DST, Aids e Tuberculose, Regina Cortez.
Ela comenta que nesta época a distribuição aumenta, mas durante o resto do ano a procura é baixa. "As relações envolvem sentimentos. Percebemos que, quanto mais segura a pessoa se sente, mais risco ela corre. Tanto que 70% das mulheres infectadas nos últimos anos tinham parceiros exclusivos", aponta Regina, confirmando que a maioria dos casos acomete a população jovem adulta.
Desde o ano de 1985, quando foi notificado o primeiro caso de Aids na cidade, Londrina já contabiliza 1839 casos. Destes, 783 vieram a óbito. Conforme Regina, contudo, 120 novos casos de HIV, em média, ao ano são registrados. "Estima-se que, pelo menos, outras 20 mil pessoas não saibam que estejam infectadas na cidade", alerta. Em janeiro de 2010, seis casos deram positivos entre 179 exames realizados. No mesmo mês deste ano, entre 245 testes, 13 foram positivos. (M.T.)
DOENÇA GANHA FORÇA NO SUL
O acompanhamento anual das notificações de contaminação por HIV feito pelo Ministério da Saúde indica que a doença tem avançado mais entre os estados do Sul do País. Além disso, o coeficiente de óbitos também é maior nesta região do que em outras.
A coordenadora do programa estadual de controle de DST/Aids, Káthia Adriana Moreira, comenta que algumas razões podem ajudar na análise das estatísticas. Os residentes no sul do país, em tese, teriam mais informação e, portanto, mais acesso aos serviços de saúde para, por exemplo, fazerem os testes para descobrirem se são ou não portadores do HIV. Outra possibilidade, segundo ela, é que os sulistas não estariam se protegendo como deveriam, mesmo estando melhor informados.
Khátia revela que outra particularidade que chama a atenção na região Sul é que o vírus parece ser diferente geneticamente daquele que ocorre em outras regiões do país. Esta situação poderia ter relação com o uso de drogas injetáveis. A coordenadora estadual complementa que as pesquisas, em andamento, ainda não descobriram se o vírus desta região é mais ou menos agressivo. (L.A.)
Teste pronto em 15 minutos
Se até alguns anos atrás o resultado de um exame de HIV demorava quase dois meses para ficar pronto, hoje a espera foi reduzido a 15 minutos e com apenas uma gota de sangue. É o chamado "teste rápido". "Das 53 UBSs de Londrina, 15 delas, além do Centro de Referência, realizam o teste rápido. Todas as unidades, entretanto, fazem o exame convencional", explica Regina Cortez, da Secretaria de Saúde de Londrina.
A facilidade fez com que o número de testes rápidos tivesse forte avanço no Paraná entre 2005 e 2008: de 7.380 para 261.270 exames. "É importante que as pessoas saibam se são portadoras ou não do vírus, principalmente pelo fato de a doença nem sempre apresentar sintomas no início. Há pessoas que ficam até dez anos sem adoecer e, se não sabem de sua condição, podem transmitir o vírus", observa Regina.
Quem faz o exame pela primeira vez assiste a uma palestra informativa antes, fundamental para esclarecer dúvidas. "Apesar de ter conhecimento da doença, aprendi outras formas de infecção que não achava perigosas, diz um comerciante de 42 anos. Já o autônomo de 26 anos ressalta a importância do diagnóstico e uso de preservativos. "Vou casar na semana que vem. Mesmo assim, vou continuar usando camisinha", afirma. (M.T.)
Preservativo para cada tipo de prazer
A expressão "chupar bala com papel" era a mais comum quando se tocava no assunto uso de preservativo em uma relação sexual entre os anos 80 e 90. Hoje em dia, é espantosa a variedade de cores, sabores, texturas e lubrificantes que apimentam a relação sexual e transformam a camisinha em mais um objeto de sedução.
Se antes os preservativos mais modernos tinham apenas aroma de alguma coisa, hoje a situação é muito diferente. Foram acrescentados sabores como morango, uva, banana, chocolate, menta, tutti-frutti. "Antes tínhamos comumente no mercado camisinhas com aroma, que davam apenas uma sensação gustativa. O nosso lançamento possui sabor, efetivamente, acabando com o desconforto no sexo oral com proteção", explica Denise Santos, gerente de marketing da DTK do Brasil, detentora da marca Prudence.
Para os casais que desejam prolongar o prazer, a indicação é a camisinha com efeito retardante. O lubrificante que envolve o látex possui um aditivo que proporciona mais controle ao homem. Outra dica é o preservativo cujo lubrificante, em contato com a pele, proporciona uma sensação de calor para o homem e para a mulher.
Além de sabores e aditivos, as camisinhas atuais também podem ser texturizadas. Ela podem vir com formato anatômico em espiral, criando um movimento que estimula as áreas mais sensíveis. Outra contém listas e pontos que misturam ondulações e relevos aumentando as sensações prazerosas para mulheres e liberdade para homens. O preservativo ainda pode ser bem mais fino e macio do que o mais vendido e ser quase imperceptível para o casal. (L.A.)
Produtos passam em teste
Para deixar os foliões tranquilos durante este Carnaval, a Pro Teste (organização de defesa do consumidor) decidiu testar marcas de camisinha. Os preservativos foram avaliados quanto à resistência, lubrificação, dimensões, conforto e possibilidade de estouros.
Ao todo, 17 modelos presentes no mercado e o preservativo que o governo distribuirá durante a folia foram avaliados. Segundo a Pro Teste, todas as camisinhas foram aprovadas no teste, o que garante ao folião aproveitar o feriado sem se preocupar com gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis (DST), como hepatite e sífilis. A proteção é garantida, no entanto, desde que não se exagere na bebida alcoólica e lembre-se de proteger a si mesmo e à parceira com este recurso.
Em primeiro lugar no ranking das camisinhas ficou a Blowtex, que teve nota final de 96 (de 0 a 100). A marca obteve muito bom em quatro de cinco quesitos, conforme mostra o gráfico. Na sequência ficaram a Lovetex, Preserv Lite e Olla. Outras variações das mesmas marcas foram testadas, como modelos extra finos, sensitive, entre outros. (L.A.)
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