Londrina - Levantamento feito em todo o País pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostrou que em 98% deles existem problemas relacionadas ao consumo de drogas, principalmente o crack No Paraná, foram ouvidos 85,2% (340) dos municípios e o cenário é assustador Enquanto o vício avança entre dependentes cada vez mais novos, as medidas de combate ao problema ou são excludentes ou simplesmente não existem
O estudo apontou que em 88% dos municípios paranaenses ouvidos não existe Centro de Atenção Psicossocial (Caps), estratégia instituída pelo governo federal para atender a população, acompanhar o dependente e reinseri-lo socialmente Apenas 30 cidades afirmaram ter programa municipal de combate ao crack e, dentre esses, só 16 contam com aprovação de lei municipal As ações mais comuns ainda são muito tímidas, baseadas na mobilização da população, prevenção ao uso e, em menor medida, capacitação de profissionais e tratamento aos dependentes E 73% dos municípios afirmaram tocar as ações apenas com recursos próprios
O secretário-executivo do Conselho Estadual Antidrogas, Jonatas Davis de Paula, criticou o Plano de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, o ''PAC do crack'', que só reeditou ideias antigas Hoje, apenas municípios com mais de 20 mil habitantes (29,5% do total do país) podem se beneficiar com recursos específicos Por sua vez, a Secretaria Nacional Antidrogas aplicou 18% de seu orçamento anual O Paraná, segundo o Conselho, não recebeu um único centavo ''Alguns municípios tentaram montar consórcios mas a preocupação é importar problemas''
Paula elogiou a iniciativa do CNM mas lembrou que a Associação dos Municípios do Paraná (AMP), mesmo tendo assento, nunca tomou seu lugar no conselho estadual E emendou: ''No Estado, são 60 municípios que contam com lei criando conselhos municipais antidrogas mas boa parte ainda não têm isso estruturado''
A gerente de Saúde Mental da Secretaria de Saúde de Londrina, Angela Lima, complementou que o número pequeno de Caps se dá também pelas diretrizes da reforma psiquiátrica que preveem um número mínimo de 50 mil habitantes para a estruturação de uma base do centro ''Grande parte dos municípios do Paraná possui menos de 20 mil habitantes e a saída é a criação de consórcios regionais que, no entanto, traz a dificuldade de deslocamento a quem precisa do tratamento Em Londrina, por exemplo, temos uma unidade para 500 mil habitantes Quem mora em regiões distantes tem de enfrentar isso''
Angela afirmou ainda que, além do Caps, é preciso ofertar outras atividades terapêuticas ''Precisamos de rede de cuidados que veja a dependência como caso de saúde pública''

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