Sem pistas e sem apoio
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quinta-feira, 13 de junho de 2013
Rodrigo Batista<br>Equipe Bonde 
Curitiba - Desde 2011, a analista de sistemas Miriam Weiss Brandão, de Curitiba, procura pelo marido, o engenheiro Renato Brandão. Apesar de iniciativas para tentar localizá-lo, ela esbarra na falta de informações e de estrutura da Polícia Civil. E o que poderia amenizar a situação dela é o apoio psicológico, ausente por parte do Estado para as famílias de adultos desaparecidos.
O engenheiro foi visto pela família pela última vez em 3 de setembro de 2011. Ele saiu de bicicleta e não retornou. No mesmo dia, a família foi à Delegacia de Vigilâncias e Capturas (DVC) de Curitiba. Os familiares fizeram ligações para hospitais e radiotáxis, sem êxito. A polícia encontrou, ainda em setembro, a bicicleta de Brandão na Estrada da Graciosa, em Morretes (Litoral), sem vestígios do engenheiro.
Com o passar dos meses, as informações ficaram mais escassas. O que também incomoda a família é a falta de suporte de assistência social. "Não tive nenhum acompanhamento psicológico. Ninguém veio me ver, nenhuma assistente social veio ver minha filha. Se eu tivesse tirado ela da escola por causa disso, com certeza alguém viria até minha casa me cobrar", reclama.
Pela mesma incerteza passa o caminhoneiro Carlos Sinésio, que procura pela filha, a cabeleireira Thaise Estevo Cruz, desaparecida da cidade de Pinhais, na Grande Curitiba, desde 10 de novembro de 2012. Ela saiu de casa após receber uma mensagem no celular, disse aos pais que não demoraria, mas não retornou. A cabeleireira deixou duas filhas.
O caso de Thaise permanece como uma incógnita. Apesar das suspeitas que Sinésio tem em relação a pessoas próximas da filha, a Delegacia de Pinhais ainda não tem pistas sobre o paradeiro dela. A falta de informações atinge mais a mãe da cabeleireira. "Ela [minha esposa] está bem debilitada. A situação está difícil. Se houvesse acompanhamento para a família seria melhor para suportar, mas não temos suporte", diz Sinésio.
Deficiência
Presidente da organização não governamental (ONG) Mães da Sé, de São Paulo (que trabalha na busca por pessoas desaparecidas), Ivanise Esperidião da Silva Santos ressalta que a desestruturação da família e o desequilíbrio emocional são sequelas que o auxílio social poderiam amenizar.
"Esse acompanhamento precisa ser contínuo, porque a pessoa vive um luto inacabado. Você não sabe se o parente está vivo ou morto. É uma incerteza constante, que é pior do que a morte da pessoa, que é um momento em que você sabe que se cumpriu um ciclo da vida", diz. Ivanise é mãe de uma menina que está desaparecida há 16 anos e aponta que a deficiência do Paraná se repete em São Paulo.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou que não há projeto na Polícia Civil para atendimento psicológico. Na DVC, segundo a Sesp, em casos extremos as pessoas que necessitam de acompanhamento são encaminhadas para o Centro de Atendimento Psicossocial da Polícia Civil. Porém, via de regra, a maioria das pessoas não tem esse atendimento.

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