O Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Londrina prevê a universalização dos serviços de água e esgoto na cidade em até 30 anos, o que deve consumir investimentos superiores a R$ 1,5 bilhão, em valores atuais. O tempo necessário para ampliar as redes e os recursos financeiros foram calculados com base no crescimento populacional (que deve atingir cerca de 643 mil pessoas) e na expansão dos limites da zona urbana pelas próximas três décadas.
A discussão proposta pela Campanha da Fraternidade (CF) deste ano, sobre o saneamento básico, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), coincide em Londrina com o andamento das negociações entre a Prefeitura e a Sanepar sobre a assinatura de um novo contrato de concessão, com metas a serem cumpridas e compensações financeiras ao município. Um projeto de lei tramita na Câmara de Vereadores pedindo autorização para a contratação da estatal pelas próximas três décadas. "Independente da empresa que vier a assumir, terá que obedecer as metas que nós colocamos", garante o assessor para assuntos estratégicos da administração, Carlos Alberto Geirinhas, responsável pelas conversas com a Sanepar. Se não houver acordo, o município não descarta abrir licitação para o setor. A Câmara realizará audiência pública sobre o assunto no dia 7 de março, às 19 horas.
O gerente regional da Sanepar, Sergio Bahls, confirma a projeção de investimentos, porém, admite que a universalização dos serviços pode não acontecer. Segundo ele, as ocupações irregulares de áreas urbanas vão comprometer a eficácia do plano. "As metas são reduzir perdas, trocar a rede por uma nova, por novos reservatórios e, além disso, chegar a 100% da rede coletora de esgoto. Contudo, a 100% nunca vai chegar porque existem aqueles locais de invasões onde ficamos impedidos por lei de instalar a rede."
Para evitar que a situação se agrave, é impossível pensar em alternativas de acesso integral ao saneamento básico sem considerar o planejamento para a ocupação habitacional de Londrina. O Plano Municipal de Saneamento Básico retrata como um "problema social" e não apenas técnico as ligações clandestinas em ocupações irregulares no município.
O professor da Universidade Estadual de Londrina, especialista em saneamento e meio ambiente, Fernando Fernandes, ressalta que o caos no crescimento urbano, que acaba prejudicando as famílias carentes, é uma desordem registrada em todo o país. "As nossas cidades são extremamente carentes de um planejamento urbano de verdade, técnico, que leve em conta mobilidade, saneamento básico, energia elétrica, telefonia, enfim, todos os componentes que permitam à cidade desempenhar as suas funções." O saneamento básico, lembra Fernandes, vai além do abastecimento de água e coleta do esgoto, alcançando também os serviços de descarte de resíduos e drenagem urbana.
Sobre o descarte do lixo, a projeção feita pelo Plano Municipal para daqui a 30 anos é de 270 mil toneladas de resíduos domiciliares geradas por ano, quase o dobro do volume atual. Contudo, as soluções não terão qualquer efeito se não houver o comprometimento da população. "Mesmo onde existe a coleta seletiva regular, o cidadão tem aquela ideia de que paga os impostos e pode jogar o lixo no chão porque a prefeitura tem que coletar", complementa.

DINHEIRO EM CAIXA
De acordo com o assessor para assuntos estratégicos da Prefeitura, Carlos Alberto Geirinhas, os termos do novo contrato para a prestação de serviços de água e esgoto em Londrina preveem um retorno financeiro "importante". Após a avaliação dos vereadores, se houver a assinatura com a Sanepar, o município recebe no ato R$ 23 milhões, referentes à valorização das ações da companhia na Bolsa de Valores.
Geirinhas explica que "como companhia aberta, de economia mista, a Sanepar mantém ações na Bolsa e, no momento em que tiver um contrato de prestação de serviços de mais 30 anos com a Prefeitura de Londrina, o valor das ações e a participação da Sanepar na Bolsa sobem". Ou seja, "a cidade de Londrina precisa ter também a sua parte", ressalta o assessor.
Outras vantagens para a prefeitura com a formalização de um novo contrato são o desconto de 50% na conta de água da administração, resultando em economia de R$ 150 mil ao mês; e o repasse mensal de R$ 240 mil, referente a 1% do faturamento da companhia.

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