Vanderlei Ferreira, 30 anos, está na 'labuta' desde os nove, quando começou a engraxar sapatos no centro de Londrina. Desde então, foi contratado em regime normal apenas durante oito anos, seis deles como vigilante e dois no Porto de Santos (SP). Mas ele não se queixa. Trabalho, afirma, dificilmente falta. Há três anos Ferreira trabalha como temporário.
''No momento em que estamos, ser temporário não é ruim. A gente tem todos os direitos. De uma empresa vamos para outra e, no final, a gente trabalha o ano todo. A única coisa ruim é que não temos direito a seguro desemprego'', diz ele.
Ferreira admite que gostaria de ter um emprego fixo. O problema é encontrá-lo. ''Saí de um trabalho e fiquei mais de 20 dias procurando um serviço. Não encontrei e o jeito foi voltar para o temporário.'' Ele começou a fazer serviços de pedreiro na Pado semana passada, encaminhado pela Labor. Ferreira também não reclama do que ganha mensalmente. Segundo ele, há diferenças entre uma empresa e outra, mas dificilmente o salário é menor que R$ 500,00. Além de pedreiro e vigilante, ele também faz serviços de pintura de casa e de veículo.
Para o advogado Luiz Gustavo Salvático, as portas do mercado de trabalho se abriram por meio do contrato temporário. Ele foi contratado em agosto pela construtora Plaenge, depois de passar três meses prestando serviços para a empresa. Ele se formou em fevereiro último e, com o diploma na mão, passou dois meses em busca de trabalho.
''Certo dia vi um anúncio da Labor no jornal, oferecendo a vaga de advogado como temporário. Passei pelo processo seletivo, passei e comecei a trabalhar na Plaenge em maio. Em agosto, quando o contrato venceu, a empresa optou por me efetivar'', conta. Hoje, ele trabalha no setor de contratos da construtora. ''O contrato temporário foi, para mim, a oportunidade de entrar no mercado de trabalho. Para a empresa também foi bom porque ela pôde conhecer o meu trabalho e testar o que eu podia oferecer.'' (B.B.)

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