Sem dinheiro, Equador pretende negociar Brandy.
Quito, 23 (AE-AP) - Em uma decisão surpreendente e até agora única, o governo do Equador informou hoje (23) que pretende negociar uma fórmula para rolar cerca de US$ 6 bilhões em bônus Brady, fato que transformará o país no primeiro a deixar de honrar esse tipo de papel da dívida. A idéia, segundo fontes do Ministério da Fazenda, é trocar os títulos do tipo Brady já existentes por novos papéis da dívida, renegociando as garantias
ou encontrar algum outro tipo de financiamento para poder quitar os US$ 93,5 milhões em juros que vendem no dia 31.
"Essa reestruturação teria como objetivo aliviar a dívida equatoriana expressa em títulos do tipo Brady, de forma compatível com a capacidade de pagamento do país no médio e no longo prazos", afirmou a ministra das Finanças, Ana Lucía Armijos. Ele assegurou ainda que o país está prestes a acertar os termos de um acordo stand by de 18 meses com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A expectativa das autoridades do Equador é obter cerca de US$ 1,2 bilhão do FMI. Aliás, a missão técnica do organismo já está no país desde o fim de semana.
O anúncio foi feito após o fechamento das bolsas e não chegou a afetar os mercados em geral, embora a cesta de dívidas em dólar do Equador tenha registrado queda de 4,5%, fazendo com que a remuneração saltasse para mais de 39%, ou 33,4% pontos porcentuais acima dos papéis do Tesouro norte-americano de prazo similar, conforme dados do J. P. Morgan. Esse rendimento é maior que o oferecido nos títulos da Rússia, país que no ano passado decretou moratória unilateral de parte da dívida externa.





