Curitiba- Cerca de um milhão de paranaenses nunca foram ao dentista. O dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e refere-se a 2002. No restante do Brasil, outras 27 milhões de pessoas desconhecem um consultório odontológico. Apesar do quadro preocupante, pior do que o de alguns países subdesenvolvidos da África, o governo federal está otimista com os resultados do programa Brasil Sorridente, implantado em 2004. A expectativa do coordenador nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca, que falou ontem no VIII Congresso Internacional de Odontologia do Paraná, em Curitiba, é diminuir em 40% estes números até o final de 2006.
Segundo Pucca, os Estados estão recebendo desde o ano passado equipes odontológicas, compostas por três profissionais, nos postos de saúde. As equipes, que têm capacidade para atender mil famílias, são do programa Saúde da Família. Cerca de 3,5 mil cidades já receberam o serviço de saúde bucal. Além disso, as maiores cidades recebem também centros de especialidades odontológicas para acesso aos tratamentos mais complexos e até próteses. Pucca calcula que hoje cerca de 9 milhões de brasileiros vivem sem nenhum dente. ''O Brasil nunca teve um programa voltado para a saúde bucal assim. Temos um orçamente de R$ 1,4 bilhão para ser gasto até o fim de 2006. Em 2002 foram gastos R$ 54 milhões com isso'', comparou.
O presidente da Associação Odontológica do Brasil (ABO) no Paraná elogiou o programa de democratização da saúde bucal implantado pelo governo federal, porém ressaltou que é preciso mais divulgação entre as prefeituras das pequenas cidades e maior vontade política de secretários municipais em trazer o programa para a sua cidade.
''Nunca teve tanto espaço e nem tanto dinheiro para a odontologia na saúde pública. Só é preciso maior envolvimento junto às prefeituras para que o programa se multiplicasse ainda mais. Poderia haver uma orientação maior juntos aos secretários de saúde'', afirmou. O Paraná forma 14 mil dentistas por ano.
Para ajudar na implantação e melhoria do programa pública de saúde bucal, o governo do Brasil foi buscar parcerias em Cuba, que é referência mundial no assunto. Para mostrar as experiência implantadas em Cuba, a ABO/PR trouxe Maritza Sosa, representante do Ministério da Saúde cubano. ''O sistema implantado no Brasil é muito bom''. Segundo Maritza, uma das novidades que Cuba está mostrando para o Brasil é a certificação de qualidade do trabalho dos profissionais.

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