Sem cuidados, pinguins morrem no litoral do PR
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sexta-feira, 06 de agosto de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Desde o início de julho, o Centro de Estudos do Mar, unidade de ensino e pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) sediada em Pontal do Sul, no litoral do Estado, recebeu oito pinguins, encaminhados por populares, que encontraram as aves nas praias do Paraná. Destes, sete morreram e só um continua vivo, mas ''também vai morrer'', antecipa o veterinário João Paulo Bastardo Rodrigues, que há dois anos trabalha como voluntário para o centro. O problema é que a unidade não tem estrutura para atendimento a animais resgatados e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) órgão do governo federal responsável pela preservação da fauna brasileira não tem recursos para o trabalho.
''Nós não temos condições de cuidar dos pinguins. O centro não tem um viveiro, não tem ambulatório para medicar e cuidar dos animais, e nem mesmo um freezer para armazenar peixes para a alimentação desses bichos'', diz. O veterinário lembra que, no inverno do ano passado, funcionários e voluntários do centro conseguiram salvar cerca de 30 pinguins, porque recebiam doação de peixes e ainda tinham certa estrutura. Devido ao crescimento da demanda de pesquisas, o centro fez um remanejamento de salas e o espaço usado como ambulatório foi desativado.
Cuidar de animais resgatados não é obrigação do Centro de Estudos do Mar, que abriga o curso de graduação em Ciências do Mar da UFPR e tem instalações voltadas para pesquisas na área. O local, no entanto, tornou-se referência para veranistas e moradores litorâneos, uma vez que não existe unidade do Ibama nas praias. Para contornar a situação, segundo Rodrigues, os funcionários, professores e voluntários do centro ''acabam tirando dinheiro do bolso'' para comprar medicamentos e alimentação. Cada pinguim come 700 gramas de peixe fresco diariamente.
A coordenadora de Fauna do escritório do Ibama no Paraná, Cosette Xavier, afirma que muitas vezes animais são encontrados no litoral e o órgão não é comunicado. ''A gente recebe qualquer bicho nas unidades do Ibama'', garante. Com seis escritórios, sendo um em Paranaguá, e dois postos avançados no Estado, o trabalho de resgate e tratamento dos animais, de acordo com ela, normalmente é feito em parcerias com zoológicos, universidades e criadores registrados.
Ela reconhece a falta de estrutura no litoral, tanto que o Ibama está criando uma Coordenação Sul do Centro Nacional de Mamíferos Aquáticos, unidade do órgão sediada em Pernambuco. De acordo com o coordenador Sul do programa, Julio Gonchoroski, a idéia é criar uma rede de encalhes. O primeiro passo é mapear o litoral para localizar animais que chegam mortos ou vivos, em bom estado de saúde ou debilitados.


