Londrina- Depois de ter percorrido distritos policiais de Curitiba e Região Metropolitana, representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR estiveram durante dois meses vistoriando as carceragens de Londrina e região. Entre as irregularidades constatadas estão a falta de funcionários e de assistência médica e jurídica. Esta última agrava o problema da superlotação, mantendo recolhidas pessoas que já poderiam ter sido soltas pelo tempo que permanecem presas sem terem sido julgadas.
O relatório foi apresentado à imprensa ontem à tarde na sede da Subseção da OAB-Londrina. Estiveram presentes a secretária da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR, Isabel Kugler Mendes; o coordenador da Comissão de Direitos Humanos, Josinaldo da Silva Veiga e a relatora e coordenadora das visitas aos distritos policiais de Londrina e região, Claudia Bilachi.
Em Londrina, foram vistoriados o 2º e o 3º Distrito Policial (onde são presas somente mulheres). Também foram percorridas as carceragens das cidades de Rolândia, Primeiro de Maio, Bela Vista do Paraíso, Ibiporã, Sertanópolis, Porecatu, Centenário do Sul, Jaguapitã e ainda será vistoriada a delegacia de Cambé. Em cada visita, os representantes da Comissão permaneceram o dia entrevistando delegados, investigadores, carcereiros e detentos.
Segundo o relatório, pelo menos 95% dos detentos possuem envolvimento com drogas, e a grande maioria são jovens com idades entre 18 a 25 anos, sem escolaridade concluídas.
Josinaldo Veiga explicou que a ação é uma das medidas que a OAB está realizando em homenagem aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A médio prazo, disse ele, a OAB pretente realizar ações em escolas e hospitais. ''Sentimos a necessidade de fazer ações concretas em combate às violações dos direitos humanos'', enfatizou.
Segundo ele, todas as carceragens vistoriadas apontaram ocupação de mais da metade da capacidade ideal. ''Encontramos escolas, creches ao lado de distritos. Situações precárias de falta de atendimento médico. Em um eles encontrados um detento com uma bolsa de colostomia exposta apresentando um risco muito grande a ele e aos outros presos. Faltam funcionários para levar presos ao médico e para audiências no Fórum. O Estado tem o direito de punir, mas a pena vai até aí, ela não pode tornar isso uma tortura'', comentou.
Um relatório com todas as informações apontadas pela Comissão será encaminhado à Secretaria de Segurança Pública para que medidas sejam tomadas. ''Num segundo momento, se nenhuma providência for tomada pensamos inclusive em entrar com uma ação contra o Estado'', finalizou Josemar.

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