Londrina – Desde o fechamento do escritório da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em Londrina no dia 20 de julho, a cidade teme perder a sua referência estadual em aviação. O escritório era responsável pela expedição dos certificados teóricos e práticos dos pilotos e profissionais da área.
Quem estuda em Londrina tem agora como opções mais próximas para realizar a banca examinadora Curitiba ou São Paulo.
"O escritório da Anac de Londrina era fiscalizador e também orientador. Passava orientações às escolas, alunos, pilotos, mecânicos. Além de fiscalizar a documentação das aeronaves e pilotos que passavam pelo aeroporto. Agora essa fiscalização é feita on-line", explica o vice-presidente do Aeroclube de Londrina e professor do curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Jonas Liasch Filho.
Londrina sempre foi uma referência na aviação civil paranaense e brasileira. A cidade possui três escolas de aviação, uma de ultraleve, um curso superior, além de uma clínica médica credenciada em realizar exames de profissionais da aviação e oficinas especializadas. Londrina forma todos os anos, aproximadamente, 330 pilotos privados, 120 comerciais, 75 comissários de bordo e 70 mecânicos. Somente no Aeroclube, fundado há 72 anos, são mais de 200 alunos nos oito cursos oferecidos.
O curso de Ciências Aeronáuticas da Unopar começou em 2000 e hoje conta com 226 alunos. O escritório da Anac em Londrina realizou 617 exames de habilitação em 2012. Muitos foram realizados por profissionais de outras cidades.
"A gente teme um impacto no número de alunos, já que os custos vão aumentar tendo que fazer as provas fora de Londrina. A cidade sempre foi uma referência e o destino de profissionais do sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul, norte e oeste de Santa Catarina e também do interior do Paraná", frisa Ronei Felipete Parra, diretor substituto da AMP Escola de Aviação, que possui 50 alunos para pilotos privado e comercial.
Quem mais sente o impacto do fechamento do escritório da Anac são os alunos e futuros profissionais. "Antes marcávamos a prova pessoalmente e em poucos dias já era possível fazer, tínhamos um suporte. Agora o agendamento é feito por e-mail e nunca sabemos quando virá a resposta. A burocracia aumentou", lamenta o estudante para piloto comercial Otávio Mouco Valotto, 23 anos.
Para Guilherme Augusto Pinto, 19 anos, que também estuda para ser piloto comercial, a questão financeira é o que mais pesa. "Os cursos de aviação já são caros e agora teremos uma despesa a mais. Tem muita gente que trabalha e quando precisar fazer a banca terá que perder dias de serviço. Isso pode fazer com que pessoas de outras cidades pensem duas vezes antes de escolher Londrina", aponta.
Apesar disso, o professor Jonas Liasch Filho acredita que Londrina continua sendo muito atrativa em comparação com outras cidades. "Aqui ainda o custo é menor para se voar do que em muitas capitais. O tráfego aéreo não é tão intenso. Em São Paulo, por exemplo, é preciso se afastar muito da cidade para poder fazer um treinamento e isso é um incômodo muito grande", pondera.
O presidente do Fórum Desenvolve Londrina, Cláudio Tedeschi, vê como contraditória esta decisão da Anac no momento em que o município discute o projeto do Arco Norte com um Aeroporto Internacional de Cargas. "A própria agência indicou que Londrina seria um ponto estratégico na América do Sul para construir um aeroporto para servir como um centro distribuidor. Ela apoia o Arco Norte e por outro lado retira a sua estrutura da cidade. É no mínimo estranho duas posições tão distintas", critica.
Segundo a Anac, uma alteração no regimento interno da Agência, em setembro de 2012, implantou um novo modelo de administração descentralizada através dos Núcleos Regionais de Aviação Civil (Nurac) e com isso 160 colaboradores, entre inspetores de aviação civil, terceirizados e servidores, foram deslocados para os novos núcleos.
A nova estrutura criou também a Gerência Geral de Ação Fiscal (GGAF), que irá atuar com outros órgãos de fiscalização para coibir operações ilícitas relacionadas à aviação civil.

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