Sem alarde. Assim foi a erupção do vulcão japonês.
DATE, Japão, 31 (AE-AP) - Sem estrondos ensurdecedores. Sem gritos de terror. A erupção do vulcão do Monte Usu, hoje (31), foi quase silenciosa. Nas nuvens de fumaça cinza-azulada sobre a cratera dançavam poeira e lascaS de rocha, que rolavam em seguida pelos declives da montanha coberta de neve.
"Não senti nem ouvi nada", contou Norimichi Nagao,um funcionário municipal de Date, que só chegou mesmo a perceber que estava havendo ao ligar a televisão. O único som quebrando o silêncio era o do alarme das sirenes nas cidades aos pés do vulcão, e das ambulâncias e carros de polícia cruzando a área para avaliar os danos e afastar do perigo eventuais curiosos.
Após a retirada de milhares de moradores dos três municípios mais próximos do Monte Usu, a explosão vulcânica contra o céu claro e azul mais parecia um espetáculo do que uma ameaça. As pessoas saíram às ruas e subiram aos telhados das casas para contemplar a erupção, algumas fotografando a nuvem espessa que se espalhou e atingiu 3.200 metros por duas horas.
A atmosfera tranquila era compreensível: todos estavam preparados para o espetáculo, após dias de pequenos e seguidos abalos sísmicos e de constantes advertências sobre a erupção iminente.
Enquanto o vento desviava as cinzas que deveriam cair sobre Date, outras cidades não tiveram a mesma sorte: os carros de lá chegavam cobertos de poeira cinzenta. Abuta e Sobetsu tornaram-se cidades-fantasmas depois que todos seus moradores tiveram de abandonar suas casas, e os poucos remanescentes tentavam manter a calma.
"Algumas crianças e seus pais ficaram um pouco agitados, mas não se poderia chamar de pânico o que sentiram", disse Daisude Kadoaki, funcionário da prefeitura de Abuta. Embora quase todos os habitantes tenham abandonado a região, o governo ainda se preocupa com o que possa sobrevir porque a erupção de hoje pode ter sido apenas a primeira.
O primeiro-ministro Keizo Obuchi advertiu que o pessoal retirado deve permanecer nos abrigos ainda por um tempo e está considerando a possibilidade de construir casas provisórias. Nesse abrigos, que já acolheram mais de 5 mil pessoas, cada família delimita seu espaço com cobertores e algumas, até, em busca de maior privacidade, colocam uma divisória de papelão. Na tentativa de combater o stress dos abrigados, uma equipe de voluntários está dando acompanhamento médico, com direito a exames e receituário.
Em Date, entretanto, os pequenos tremores que anunciavam a erupção tornaram-se menos frequentes desde a noite de hoje. E a chuva, misturada à neve, já começou a cair sinal, para seus habitantes, de que a vida está começando a voltar ao normal.





