Recife, 11 (AE) - Se o acordo automotivo emergencial não for renovado, o mercado poderá encolher para um milhão de unidades este ano e deixar de 6 mil a 7 mil trabalhadores ociosos somente na Volkswagen. A informação é do presidente da empresa no Brasil, Herbert Demel. "Estamos quietos à espera do que vai acontecer, mas já temos entre 2.200 e 3 mil empregados ociosos", disse o executivo sem querer detalhar a possibilidade de demissões na empresa, que criou este ano a jornada reduzida para evitar cortes.
Segundo Demel, a Volkswagen fez o acordo da jornada menor para um mercado anual estimado em 1,5 milhão de veículos. Com a crise decorrente da mudança cambial, a Volkswagen reduziu as projeções e está trabalhando com mercado de 1,2 milhão. Mas, segundo alertou o executivo, caso não seja renovado o acordo, o volume poderá cair para 1 milhão. Isso representa uma queda de 50% em comparação com o ano passado e pelo menos 20% menos do que o previsto pela indústria.
Segundo Demel, se as montadoras mantiverem a média de vendas de 120 mil veículos por mês não haverá demissões. Mas já existe uma expectativa de que este número não será atingido este mês em razão do fracasso nas negociações para renovação do acordo emergencial.
Balanços - O presidente da Volkswagen disse que acha "ótima" a idéia do governo de verificar os balanços das montadoras para comprovar a necessidade de reajustar preços. Houve aumentos de até 9,98% na semana passada e o mercado parou na expectativa de que o governo fizesse o setor voltar atrás. Mas Demel garante que a Volkswagen vai comprovar a necessidade dos aumentos. "O mercado sofre influências emocionais, mas os preços não vão baixar", garantiu.
Demel reiterou que Volkswagen e toda a indústria automobilística trabalharam com prejuízo este ano e vão perder ainda mais. "Este ano ninguém vai ganhar dinheiro", disse. Segundo o presidente da Volks, no ano passado os ganhos com os serviços financeiros compensaram a perda nas vendas. Por isso, houve equilíbrio no resultado final. "Resultado zero, equilibrado, numa empresa de US$ 10 bilhões representa lucro", completou.
O executivo disse ainda que o secretário de comércio e serviços do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, errou ao dizer que o impacto da mudança cambial na indústria automobilística foi de apenas 8%. Demel lembrou que 8% referem-se ao que é importado diretamente pelas montadoras, que representa 20% do total dos dos componentes utilizados.
"Mas o Hélio se esqueceu que nossos fornecedores também importam. Os 80% de componentes que compramos no mercado interno têm 25% de conteúdo importado, o que dá um impacto de mais 20%. Sem contar juros e inflação," explicou. "Perdemos dinheiro, investimos e alguém diz que devemos continuar com os preços congelados", completou.

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