Sem acordo, motoristas e cobradores podem parar
Londrina Usuários do transporte coletivo podem ser surpreendidos hoje pela manhã por uma greve de motoristas e cobradores. Uma assembleia estava prevista para a madrugada desta sexta-feira, em frente à garagem da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), na Vila Recreio, região central. A paralisação seria motivada pela falta de acordo entre patrões e empregados, que ontem realizaram duas reuniões, sem chegar a um acordo.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sinttrol) cobra reajuste salarial de 13%, além do imediato pagamento do plano de participações e resultados (PPR), em média R$ 112 por mês para cada empregado. O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon) oferece 6% de aumento para a classe trabalhadora e assegura para abril o depósito do PPR.
O Metrolon condiciona o aumento salarial ao reajuste de 11,3% na tarifa do transporte coletivo concedido anteontem pela Prefeitura. O valor passou de R$ 2,20 para R$ 2,45. A planilha de custos do sistema, apresentada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) provisiona reajuste salarial de 6% aos trabalhadores. De acordo com a CMTU, que gerencia o sistema, mais de 4,2 milhões de passagens são vendidas por mês em Londrina. Cerca de 160 mil pessoas passam diariamente pelo Terminal Urbano. As empresas arrecadam R$ 9,4 milhões por mês, mais de R$ 113,8 milhões no ano.
As empresas defendem que nos últimos nove anos os trabalhadores tiveram todos os pedidos atendidos, no entanto no período ocorreram apenas cinco reajustes da tarifa. "Nos últimos dois anos repassamos 14% aos trabalhadores. Estamos num quadro um pouco complicado agora, temos um viés diferenciado dos outros anos. Nossa proposta tem que estar em cima exatamente do que veio previsto na planilha (proposta pela CMTU)", defendeu o advogado do Metrolon, Victor Marcondes.
"As empresas se apegam no percentual de 6% que foi dito pela prefeitura para provisionar o salário, o problema é que a prefeitura não consultou a categoria e a situação de mercado. Se não houver uma proposta que resolva minimamente o ganho de produtividade, fica difícil", observou o advogado do Sinttrol, André Passos.
A proposta será apresentada aos trabalhadores em assembleia durante o início do expediente. "A gente tem obrigação moral de falar para os trabalhadores que tem uma proposta e a categoria vai decidir sobre a paralisação ou não", salientou o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva.
A possibilidade de greve cogitada no final da tarde de ontem surpreendeu usuários do transporte coletivo. "Deixar o anúncio para a madrugada é uma sacanagem. A gente tinha que saber com antecedência para se programar", criticou a doméstica Laide da Silva. "Ficamos sem saber o que fazer", lamentou a universitária Bruna da Silva. "Entendo o lado deles, mas os trabalhadores têm que pensar em como todo mundo vai se deslocar", enfatizou o montador Sérgio de Camargo Firmino.
A última greve do sistema ocorreu em 2006, foram dois dias de paralisação. Em 2010, os trabalhadores rejeitaram a proposta de greve na última assembleia.





