Curitiba- O caso da ex-doméstica Beranizia Vieira, 63 anos, é um exemplo do problema mais comum entre patrões e empregados domésticos. Beranizia trabalhou por 30 anos em uma casa como diarista três vezes por semana (o que gera vínculo empregatício) sem carteira assinada.
Em 2001, quando falou aos patrões em se aposentar porque estava doente, e para isso pediu uma ajuda em dinheiro para complementar o que faltava pagar ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cerca de R$ 4 mil , foi mandada embora. A ex-doméstica durante toda sua vida profissional nunca recebeu nenhum benefício além do salário e contribuiu para a Previdência Social, por conta própria, apenas durante oito anos. Isso não lhe deu direito à aposentadoria, mas somente ao auxílio saúde que logo deve acabar. Aconselhada por uma vizinha, Beranizia procurou o sindicato de sua categoria e, como não houve acordo, entrou na Justiça. ''Recebi R$ 2 mil em oito parcelas'', conta.
Segundo a advogada Elisabete Schlichting, Beranizia deveria receber muito mais do que isso pelo tempo que trabalhou. Contudo, ela explica que os direitos trabalhistas, quando procurados na Justiça, só valem para os últimos cinco anos de trabalho. A.B.

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