Sem acordo automotivo, autopeças ameaçam demitir 10 mil
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 23 (AE) - A indústria de autopeças poderá demitir 10 mil trabalhadores com o final do acordo automotivo emergencial, na quarta-feira. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, comunicou hoje ao secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico de São Paulo, José Aníbal, a quantidade de empregados excedentes no setor e disse que 70% deste total estão no Estado de São Paulo.
"Se não houver renovação do acordo teremos que fazer um ajuste às novas condições de mercado", disse Butori. O setor tem hoje 165 mil empregados. O corte do excedente representaria uma queda de 6%. Segundo Butori, as autopeças estão trabalhando com ociosidade de 30%. As montadoras vão esperar a confirmação do fim do acordo para programar os pedidos de setembro. "Será um caos", previu o presidente do Sindipeças.
As demissões - tanto nas montadoras como nos fornecedores - devem ocorrer até o dia 30 de outubro, prazo que os empresários têm para dispensar sem pagar os direitos extras previstos no dissídio coletivo, em 1º de novembro.
Butori não acredita que o programa de renovação da frota possa começar este ano, como está sendo planejado pelas montadoras e governo federal. "Não foram feitos os investimentos necessários para dar início a um projeto desses", comentou.
Amanhã termina o prazo de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) reduzido para carros vendidos em São Paulo. Durante a vigência do acordo emergencial, nos últimos três meses, a alíquota de ICMS para carros em São Paulo foi reduzida de 12% para 9,5%.
Na quarta-feira é a vez de o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) também subir. Neste caso a alíquota do carros popular aumentará de 7% para 10% e as dos médios de 20% para 25% e 30%, dependendo do modelo.
As montadoras ainda estudam se vão repassar apenas o aumento dos impostos dos carros - o que daria oscilações em torno de 8% , 12% e 15% - ou se já embutem no reajuste os impactos da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e custos com matérias-primas. Segundo Butori, feitas todas as contas, o aumento poderia passar de 20%. O presidente do Sindipeças disse hoje que os fabricantes de componentes já pagaram os aumentos dos insumos, mas ainda não os repassaram às montadoras. Ele apontou o aço, plásticos, borrachas e tintas como os produtos que acumulam mais aumentos de preços. Para o aço, que subiu de 8% a 10%, as autopeças conseguiram parcelar o reajuste. Como a última parcela vence dia 26, o setor se prepara para tentar tentar repassar a elevação para as montadoras.
Metalúrgicos - Também esta semana os metalúrgicos da Central Única e da Força Sindical vão entregar para as montadoras a pauta do contrato coletivo, que será referendada nas assembléias em portas de fábricas amanhã. Entre as reivindicações está o piso profissional em todo o setor automotivo, independentemente da região em que a empresa está localizada.
Butori disse hoje que considera difícil a conquista desta reivindicação. "Entre os motivos para a escolha das regiões em que as montadoras estão construindo fábricas é a mão-de-obra mais barata", destacou o dirigente. Segundo Butori, as diferenças de custo de mão-de-obra chegam a 50% em comparação com São Paulo.


