Curitiba - Fracassou a tentativa de acordo entre os agentes penitenciários terceirizados, as empresas que administram unidades prisionais do Estado e representantes da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, na reunião realizada ontem no Ministério Público do Trabalho, em Curitiba. Com isso, os agentes de disciplina da Casa de Custódia de Londrina (CCL) devem iniciar a paralisação, aderindo à greve iniciada no sábado nas unidades de Foz do Iguaçu, Cascavel, Casa de Custódia de Curitiba e da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), na região metropolitana.
Segundo o delegado sindical do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas Administradoras de Casas de Custódia e Penitenciárias do Estado do Paraná (Sintepec), Carlos Roberto de Oliveira, as empresas só aceitam negociar qualquer reajuste salarial, depois que o governo do Estado aumentar o valor dos contratos. A proposta das empresas, disse ele, seria de 5%, referentes à reposição do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). ''O restante das reivindicações eles estão ignorando e querem pagar o retroativo (a 1º de julho) parcelado em quatro vezes'', acrescentou.
Os agentes pedem reajuste salarial de 30% e, ainda, adicional de risco, plano de saúde e reajuste no vale-refeição de R$ 35 para R$ 130. O salário inicial dos agentes penitenciários privados é R$ 605, enquanto os agentes penitenciários públicos recebem, inicialmente, R$ 1,9 mil.
Oliveira disse que a intenção é mobilizar 100% dos agentes. A adesão, até ontem, segundo ele, estaria entre 70% e 80%, o que já estaria comprometendo a segurança das unidades.
O sindicalista assegurou que os representantes da Secretaria de Justiça afirmaram na reunião que o governo só aceita estudar o repasse para os contratos quando os agentes voltarem ao trabalho. ''Tudo indica que teremos mesmo que acampar na frente do Palácio Iguaçu'', ameaçou Oliveira.
O delegado sindical Gilberto de Andrade Silva afirmou ontem à Folha que a greve na unidade de Londrina deve começar a partir das 8 horas. Mas, segundo admitiu, a adesão deve ser de 50% já que a maioria dos agentes começou a trabalhar há pouco tempo e não vai parar. ''Mesmo assim o funcionamento da CCL será precário'', acredita.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Justiça informou que a responsabilidade do reajuste é exclusiva das empresas terceirizadas e que o Estado está cumprindo o que está previsto nos contratos, inclusive, no que diz respeito a valores. A Secretaria garante que a rotina das penitenciárias não foi afetada e só reconhece o movimento nas unidades de Foz do Iguaçu, Cascavel, Casa de Custódia de Curitiba e PEP. Caso haja radicalização na greve, a Secretaria irá pedir reforço da Polícia Militar (PM).

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