Selos sociais ajudam a reduzir trabalho infantil
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quarta-feira, 20 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A disputa das empresas pela simpatia do consumidor tornou-se arma poderosa contra uma das mais graves distorções da sociedade brasileira, o trabalho infantil. A utilização de selos sociais, como o da Fundação Abrinq e o do Instituto Pró-Criança de Franca, vem dando uma contribuição valiosa para resolver esse problema. Os selos são atribuídos a empresas que estejam comprometidas a não utilizar crianças e adolescentes em suas atividades - e poder exibi-los nos produtos tornou-se quase um prêmio.
Pesquisa da seção brasileira da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que, de cada dez empresas, nove acreditam que o selo social ajuda a eliminar o trabalho infantil e três apóiam ações diretas para enfrentar esse desafio. O crescimento de um dos selos, o da Fundação Abrinq, demonstra que o interesse é cada vez maior: em 1995, 54 empresas tiveram o direito de usar a distinção em seus produtos; no ano passado, 1.346.
Para cada empresa que tem o selo, outras dez ou mais acabam sendo levadas nessa onda, afirma o diretor da OIT no Brasil, Armand Pereira. O raciocínio é simples: companhias concorrentes também querem ter o direito de estampar o selo e, por isso, deixam de empregar crianças e adolescentes. Um exemplo bem-sucedido é o da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), que em 1996 passou a não comprar matéria-prima de produtores que usavam trabalho infantil nas plantações. Evitou-se, assim, que milhares de crianças continuassem a perder até as impressões digitais, por causa do efeito corrosivo da colheita das laranjas.


