Marcos Zanatta
O trabalho de acompanhamento do processo de fabricação de alimentos artesanais, adotado há pelo menos três anos pela Prefeitura de Maringá, se transformou no segundo ‘‘selo de procedência’’ de produtos do País. Lançado no início da semana, o selo ‘‘Produto de Maringᒒ é inédito no Paraná e segue em algumas características do ‘‘Prove’’, de Brasília.
A intenção é identificar os produtos fabricados por pequenos agricultores e donas de casa, garantir a qualidade e principalmente abrir mercado. Hoje, a maior parte dos 300 itens cadastrados até agora podem ser encontrados na Feira do Produtor, que é realizada às quartas-feiras à noite e sábados pela manhã, no estacionamento do Estádio Willie Davids, na área central.
‘‘Nossa proposta é organizar o setor, garantir o produto para o consumidor, abrir novos mercados, agregar renda e manter o homem no campo’’, explica a veterinária Maristela Galvão, coordenadora de abastecimento do município. Outra proposta do selo, que deve ser explorado a médio prazo, é fazer dos alimentos artesanais um atrativo turístico.
‘‘Queremos atrair visitantes para a Feira do Produtor’’, diz Maristela. Em média, a feira atrai 3 mil consumidores no meio da semana e um pouco menos aos sábados. Algumas propriedades classificados pelo selo também pretendem promover o ‘‘café colonial’’ aproveitando própria produção.
O selo, acredita Maristela, será o ‘‘marketing’’ necessário para que os produtos ganhem mercado. Ela revela que a maior parte dos cerca de 30 produtores cadastrados não tem condições de entrar no mercado para competir em igualdade com marcas tradicionais. O selo deve fazer o papel de divulgação do produto de qualidade.
O presidente da Associação Comercial e Indústrial de Maringá (Acim), Jeferson Nogaroli, que é supermercadista, acredita que o selo padroniza os produtos e divulga a garantia de qualidade. ‘‘Há algum tempo o pessoal nos procura para colocar alguns itens nos supermercados, o que pode ser possível com a organização proposta pelo selo de procedência’’, diz Nogarolli. Ele destaca ainda o fator econômico da iniciativa, fazendo com que a produção local ganhe inclusive o mercado regional.
O secretário de Indústria, Comércio, Turismo e Agricultura de Maringá, Miguel Fuentes Salas, ressalta que o selo não é um simples adesivo pregado no pacote do produto. ‘‘Existe um trabalho muito grande de vários setores até a liberação do selinho’’, avisa. Apenas 45 produtores serão beneficiados. Por enquanto cerca de 30 foram classificados porque se enquadram nos padrões exigidos pela Vigilância Sanitária. Salas afirma que o município garante a qualidade porque faz vistorias nos locais de produção. ‘‘Se existe irregularidade o produto não pode ser comercializado’’, diz.
Ele lembra ainda que o selo é uma forma de incentivar a legalização de pequenas empresas, que trabalham na clandestinidade. ‘‘O pessoal nem encara como uma empresa porque na maior parte trabalha com mão-de-obra familiar, mas o crescimento nas vendas vai forçar a legalização’’, prevê. O prefeito Jairo Gianoto (PSDB), que deu todo apoio para o lançamento do selo, acha que Maringá pode produzir muito mais. ‘‘Pelo menos 80% dos produtos que saem do Ceasa de Maringá vem de fora, o que vamos tentar reverter’’, promete. ‘‘Através do selo, o município quer incentivar o aumento da renda do pequeno produtor’’, diz.
O chefe regional da Emater, Romualdo Faccin, acredita que o selo vai modernizar o processo de produção nas pequenas propriedades, gerando ainda renda para o agricultor promover melhorias.
A garantia de procedência de produto, segundo o prefessor José Cesar Panetta, da área de Higiene de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), é o que mais move o mercado hoje. Ele esteve em Maringá para o lançamento do selo e elogiou a iniciativa do município em reconhecer a produção local. ‘‘O consumidor se sente seguro em comprar um alimentos com selo de origem, o que vai revolucionar o mercado para o produtor beneficiado’’, prevê Panetta.Lançado esta semana, o selo ‘‘Produto de Maringᒒ beneficia pequenos agricultores e donas de casa
James NegriniIdentificação: higiene garantidaJames NegriniFonte de rendaCom o setor organizado, produção artesanal pode se expandir para os mercados regional e turísticoJames NegriniKimie e a mãe, Shizuko: 25 pratos da comida japonesa

mockup