São Paulo, 05 (AE) - O diretor de assuntos econômicos do Lloyds Bank, Odair Abate, acredita que o Copom manterá a taxa Selic em 19% na reunião de amanhã e não alterará o viés, que está neutro. Até o fim deste ano, ele espera reduções, com a expectativa de que a Selic chegue a 18% ou 18,5%.
Até a semana passada, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional as contribuições dos servidores, o Lloyds Bank acredita que a taxa pudesse cair para 18,75% na reunião de amanhã. Essa perspectiva foi alimentada pelo relatório de inflação, divulgado pelo Banco Central, no início da semana. Mas, após a decisão do STF, a postura conservadora prevaleceu com a opção pelos 19%.
A divulgação, nesta manhã, do IPC-Fipe de 0,91% para setembro reforçou as precauções do Lloyds. O índice foi maior do que o mercado esperava, acompanhando o comportamento do IGP, divulgado na semana passada, que seguiu em alta. A decisão do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc), de manter as taxas de juros inalteradas, com a adoção de um viés de alta, apenas reforçou a revisão do Lloyds de que a Selic será mantida.
Sobre a alteração do viés, para alto, Abate disse: "Teria um efeito mais maléfico do que benéfico. Seria um elemento a trazer incertezas para o futuro". O comportamento do mercado americano nesta tarde, quando o Fomc anunciou o viés de alta é um indicativo do estrago que decisão semelhante provocaria no cenário doméstico. Abate acredita que o Fed já sinalizou ao mercado que agora terá tempo para "deglutir" a alta dos juros. "Do ponto de vista interno, o viés traz mais precaução para o mercado que ficará mais tenso."

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