Rio de Janeiro - A representação regional da Polícia Federal no estado de Mato Grosso do Sul anunciou ontem a abertura de investigações sobre a Igreja Unificação Pela Paz, mais conhecida por Seita Moon, em homenagem ao seu fundador, o coreano Sun Myun Moon. A seita estaria envolvida ‘‘na lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos para compra de terras’’, disse o delegado Vantuir Jacini, responsável pelas investigações.
Esta é a primeira investigação policial sobre a seita do coreano, cuja fazenda em Mato Grosso do Sul já recebeu multas de R$ 118.660 reais por causa da presença, na propriedade, de estrangeiros que entraram ilegalmente no País.
O Exército também vem observando a Seita Moon, que adquiriu grandes quantidades de terras na região da fronteira com Bolívia e Paraguai. ‘‘Tudo que possa comprometer a segurança do País recebe atenção especial da Força, seja a presença de entidades estranhas e porções exageradas de terra sob controle estrangeiro, seja conflito de qualquer natureza’’, afirmou o comandante do Exército, general Gleuber Vieira.
A movimentação das autoridades brasileiras em torno da atuação da seita se intensificou nas últimas três semanas. Em meados de dezembro, o Palácio do Planalto demonstrou sua preocupação com a grande quantidade de terras compradas por Moon em 24 municípios do Mato Grosso do Sul, principalmente nas regiões de fronteira.
A Assembléia Legislativa de Campo Grande instalou uma comissão especial para investigar a legalidade das atividades da Associação das Famílias para a Unificação e a Paz Mundial, entidade que representa o reverendo no Brasil. A própria Polícia Federal já vinha estudando, junto com a Receita Federal, dados desencontrados sobre os negócios da seita.
Segundo o deputado Jérson Domingos (PSL), a comissão quer saber a razão do interesse do reverendo por terras no Pantanal, nos lados brasileiro e paraguaio. Outro ponto da investigação é a situação dos estrangeiros que vivem na região e estariam entrando pelo Paraguai para se casar com brasileiros e, assim, garantir sua permanência no País.
O procurador do Ministério Público Federal no Mato Grosso do Sul, Blau Dalloul, anunciou que espera ter um levantamento detalhado sobre as atividades dos seguidores de Moon até março.

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