Foz do Iguaçu, PR, 05 (AE) - Seis turistas estrangeiros e um piloto de barco morreram hoje numa colisão entre dois barcos durante um passeio nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR). O acidente ocorreu por volta das 11h30 e envolveu uma embarcação com 23 passageiros e outra com nove. O barco maior passou sobre o menor e esmagou as vítimas. Morreram o piloto Cândido Siqueira, os turistas portugueses Antônio Baia Patrão, Manoel Pereira, Maria Pereira e os franceses Jorge Alcazar Cruz, Bui Biscai e a chilena Maria S. Barra.
A turista chilena Marissol Andressa e o casal francês Jean Pierre Salvager e Marrie Helene Hendrick Salvager tiveram ferimentos leves e foram atendidos na Santa Casa Monsenhor Guilherme, em Foz. Amanhã (06) eles serão ouvidos pela Polícia Federal, que junto com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Capitania dos Portos do Rio Paraná investigará as causas do acidente.
O empresário brasileiro Paulo Farias disse que presenciou o acidente e afirma que houve imprudência de um dos pilotos. Segundo a versão dele, o piloto da embarcação menor, Cândido Siqueira - que trabalhava há oito meses nessa atividade -, teria desrespeitado uma convenção criada pela empresa para evitar acidentes. Como ocorre nas rodovias, eles procuram trafegar pela margem direita do rio. No momento da colisão, Siqueira estaria trafegando pela esquerda. Faria também disse que houve muita demora no atendimento e não havia médico no local.
A colisão ocorreu numa das correntezas onde o leito do Rio Iguaçu fica mais estreito. Como normalmente a proa dos barcos levanta durante o deslocamento em alta velocidade, o piloto que seguia em sentido contrário não percebeu a aproximação da lancha menor. Os corpos dos turistas que estavam nessa embarcação foram esmagados pelo barco maior e alguns, entre eles o piloto, chegaram a ser mutilados pela hélice. Contudo, só o laudo do Instituto Médico-Legal, que deve ser divulgado amanhã, vai confirmar se todas as mortes foram provocadas em decorrência do choque ou se também houve afogamento de alguma das vítimas.
Passeio - O passeio de barco é feito há 13 anos pela empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação, por meio de uma concessão do Ibama. O passeio faz parte de um pacote de US$ 30 por pessoa que inclui, ainda, uma incursão pela mata em carretas abertas puxadas por jipes. Esse percurso, de aproximadamente, três quilômetros dá acesso a um porto flutuante às margens do Rio Iguaçu, de onde saem os barcos em direção ao canyon das Cataratas.
Segundo a empresa, nesse tempo foram realizados mais de 100 mil passeios. Os barcos têm sete camadas de borracha, para evitar acidentes em possíveis choques com as rochas em períodos de baixa vazão do Rio Iguaçu. Os maiores têm capacidade para até 25 pessoas. Ao embarcar no porto flutuante localizado às margens do rio, todos os turistas são orientados a usar coletes salva-vidas. Este foi o primeiro acidente com mortes, mas não o primeiro incidente registrado pela empresa.
No dia 17 de fevereiro deste ano, quatro turistas norte-americanos que faziam o passeio de barco caíram no Rio Iguaçu, próximo da Garganta do Diabo. Segundo versão da empresa, uma mulher entrou em pânico ao se aproximar das quedas e se jogou na água. O marido dela e um casal que os acompanhava saltaram para ajudá-la. Todos foram resgatados sem ferimentos pelo piloto de outro barco. Interdita - Após o acidente de hoje, o diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Julio Gonchorosky, interditou o passeio por tempo indeterminado e proibiu temporariamente o acesso ao local por terra, água ou ar. O Ibama, a Polícia Federal e a Capitania dos Portos do Rio Paraná vão investigar as causas do acidente. Gonchorosky disse que por determinação da presidência do Ibama, em Brasília, o escritório local do órgão e a direção do Parque Nacional vão dar todo o apoio necessário às vítimas e familiares.
Em estado de choque, o proprietário da Ilha do Sol Turismo e Navegação, o norte-americano naturalizado brasileiro Alexander P. Schorsch, foi internado no Hospital Costa Cavalcanti e pouco depois transferido para a casa dele. Segundo o médico Michel Cotait Júnior, ele está sob efeito de sedativos e sem condições psicológicas para falar sobre o assunto. Cotait Júnior disse apenas que Schorsch está extremamente abalado e só deve se pronunciar amanhã.

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