Londrina – Quatro dos seis presos pelo latrocínio do empresário José Luiz Soares, de 53 anos, têm 18 anos de idade ou menos. No final da tarde de ontem, a Polícia Civil encerrou as buscas pelos suspeitos com a prisão na zona norte do adolescente David Willian Machado, 18 anos, acusado de ajudar a elaborar o plano do assalto. Antes, já haviam sido apreendidos três menores de idade, todos de 16 anos: o rapaz que confessou ter desferido o tiro com um revólver calibre 22 sua namorada e uma funcionária do depósito.

Dois adultos também responderão pelo assassinato de Soares. A mãe da namorada do atirador, que escondeu a arma do crime na casa de uma irmã (o revólver foi encontrado dentro de um pacote no guarda-roupa e, de acordo com a polícia, a tia da adolescente não sabia o que havia no pacote) e Viny Marcus, de 22 anos, que conduziu na sua moto, uma Yamaha Pfizer, o atirador até à loja e depois na fuga. Os adultos foram encaminhados para as carceragens do 5º e 3º distritos. Os adolescentes – todos sem antecedentes criminais - ao Centro de Socioeducação (Cense). A pena mínima para latrocínio é 20 anos de reclusão.

A polícia comemorou a rapidez das prisões, repetindo o que aconteceu nos outros dois casos de latrocínio em 2013, também solucionados 24 horas depois da ocorrência. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, disse que a equipe foi pressionada a encontrar os suspeito "o quanto antes". "A gente sabia que quanto mais tempo levasse, mais difícil seria a investigação e menos chance teríamos de efetuar as prisões. A quadrilha se espalharia por várias cidades."

O casal de adolescentes foi preso na Rodoviária, onde embarcariam para São Paulo. A partir da prisão do atirador – que garantiu em depoimento que o disparo que atingiu o peito do empresário foi acidental - e da namorada, a polícia foi juntando as peças e surpreendendo os suspeitos.

De acordo com o superintendente da 10ª Subdivisão Policial, o investigador José Márcio Ilkiu, os envolvidos participaram de uma reunião na quarta-feira para planejar como roubariam o depósito. "A adolescente que é namorada do atirador pode ter sido a mentora de toda a ação", adiantou o investigador.

Conforme a versão da polícia, a funcionária fez o papel de informante. Nas gravações das câmeras de monitoramento da loja, o atirador aborda-a antes de anunciar o assalto. A suposta informante trabalhava no depósito havia 20 dias, segundo os familiares da vítima. Ela teria avisado aos comparsas que havia muito dinheiro no caixa da loja na quinta-feira e, por isso, o dia foi escolhido. Mas a tentativa foi frustrada e o dinheiro não foi levado.
Após as prisões na Rodoviária, a polícia chegou ao condutor da moto, preso na zona leste. Em seguida, a equipe da polícia se concentrou na prisão da funcionária do depósito. A polícia chegou a levar o adolescente atirador ao velório no Parque das Oliveiras para que ele apontasse qual era a informante. De acordo com Ilkiu, a funcionária do depósito chegou a participar da cerimônia mas saiu pouco antes da chegada da polícia. Ela foi presa em casa, na zona norte, horas depois. Todos os envolvidos confessaram que participaram da ação.

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