Seis pessoas são mortas em chacina no Rio
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quinta-feira, 03 de junho de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 04 (AE) - Seis pessoas foram assassinadas, ontem (03) à noite, no Conjunto Habitacional Nova Campina, no distrito de Imbariê, município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Oito homens encapuzados, armados de fuzis e pistolas, desceram de uma Kombi branca, placa não identificada, e invadiram, atirando, o Bar e Lanchonete Esperança. Outras 22 pessoas ficaram feridas, entre elas o menino Lucas da Silva Alves, de um ano e oito meses, internada em estado grave no Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.
Na hora do tiroteio, cerca de 50 pessoas estavam no interior do bar, bebendo e conversando, de acordo com o proprietário, Edmar Coelho Neres, de 35 anos. O grupo, segundo ele, disparou vários tiros em direção dos fregueses e fugiu em seguida. A ação durou menos de um minuto, em frente ao Destacamento Ostensivo da Polícia Militar (DPO), de Nova Campina. Os dois policiais que estavam no posto nem chegaram a trocar tiros com o grupo. "Pensamos que eles queriam invadir o DPO, mas depois verificamos que se tratava de uma chacina no bar", disse o soldado da PM, Valente, que estava de plantão. "Estou muito abalado com essa tragédia", disse. Na fuga, os bandidos ainda fizeram vários disparos contra dois traillers, que estavam fechados, e que ficavam a aproximadamente 30 metros do local da chacina.
"Eles chegaram atirando e em poucos minutos mataram", contou assustado o dono da padaria Vencedora, Hélcio Vieira, que fica ao lado do bar. Ele disse que se preparava para fechar a padaria quando houve a invasão ao estabelecimento. "Parecia um campo de guerra", lembrou o comerciante.
A Polícia Civil investiga a hipótese de um acerto de contas entre traficantes da Baixada Fluminense. Segundo o delegado da 62ª Delegacia Policial (Imbariê), Agnaldo Ribeiro, a chacina teria sido praticada por bandidos da localidade. "Os criminosos são desta região, porque eles usaram capuz para não ser identificados", explicou o delegado.
Já o comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar (Duque de Caxias), tenente-coronel César Rubens Monteiro de Carvalho, suspeita que o crime tenha sido cometido por quadrilhas de traficantes de favelas do Rio. "Eles chegaram e realizaram o crime sem exceção, ponderação e com muita frieza", disse o comandante, referindo-se ao ao caso do menino Luca Alves, de um ano e meio de idade, que foi baleado na cabeça quando estava no colo do pai, o contínuo Márcio Augusto Alves, de 26 anos. Na hora do crime, o contínuo estava num ponto de ônibus que fica em frente ao bar. Alves levou um tiro na cabeça e morreu hoje de madrugada no Hospital Getúlio Vargas, na Penha (zona norte do Rio).
A chacina ocorreu às 22h30 quando o bar estava lotado de fregueses. Segundo testemunhas, os criminosos teriam estacionado a Kombi a cerca de 30 quilômetros e invadido o bar. Na versão da polícia, os assassinos pararam diante do bar e desceram atirando
fugindo logo depois.
As vítimas foram socorridas por moradores e pelos policiais de plantão no DPO. Eles foram colocados em vans, kombis e um ônibus da Empresa Trel, que faz o trajeto entre Nova Campina- Duque de Caxias. Os feridos foram levados para os hospitais Saracuruna (Duque de Caxias), Getúlio Vargas, Souza Aguiar e o Posto Parque Equitativa, em Santa Cruz (zona oeste).
Entre os feridos, o caso mais grave é do menino Lucas Alves. Com perda de massa encefálica, ele foi atendido em três hospitais - Saracuruna, Getúlio Vargas e , por último no Souza Aguiar, onde foi operado e está internado em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
Além de Marcio da Silva Alves, morreram também André Luis Ferreira da Silva, de 32 anos, Manoel Fernandes Ribeiro, de 34 anos, Warley Ferreira da Silva, de 17 anos, Jorge Luiz de Souza Machado, de 28 anos, e Aluisio Sodré Muniz, de 25 anos. A polícia está investigando se Jorge Luiz de Souza Machado seria um traficante do conjunto Nova Campina, conhecido como "Charles", apontado como o chefe dos pontos de venda de drogas e armas na localidade.
O subsecretário de Assuntos Especiais da Polícia Civil, delegado Carlos Alberto Nunes Pinto, disse que será realizado um levantamento dos antecedentes criminais de todas as vítimas fatais e dos 22 feridos. "Queremos saber se entre os feridos havia traficantes, afirmou o delegado.


