Seis pessoas morrem em incêndio em loja de fogos em Niterói
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 06 (AE) - Pelo menos seis pessoas morreram hoje em um incêndio na loja Max Shop, no quilômetro 32 da antiga estrada Rio-São Paulo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A loja vendia armas, munição, fogos de artifício, artigos de pesca e acampamento e foi totalmente destruída. Três horas após o início do incêndio os bombeiros começaram a encontrar os corpos carbonizados - cinco deles seriam de duas funcionárias, de um casal de clientes e de um assentador de ladrilho. Eles não foram identificados. Uma loja de fogos e um edifício vizinhos não chegaram a ser atingidos.
O fogo começou por volta das 11 horas e só foi debelado às 16h. O dono da loja, Maximiliano de Almeida, teve ferimentos sem gravidade. Bombeiros de dez quartéis foram chamados para controlar as chamas, mas tiveram muita dificuldade por causa da grande quantidade de material inflamável. Cerca de 30 funcionários da Max Shop trabalhavam no local. Eles não souberam dizer quantos clientes estavam na loja na hora do incêndio.
João Batista Ferraz, que fora à loja comprar uma barraca de camping, estava no local. "Ouvimos o som de fogos pipocando como se fossem tiros e saímos correndo, pensando que fosse um assalto", contou. A mulher dele, Margarida Cândida Ferraz, ficou desesperada ao ver o carro do casal queimando. O veículo foi comprado há menos de um mês e não tinha seguro. Nenhum dos dois se feriu.
A fumaça podia ser vista a quilômetros de distância. Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Nova Iguaçu, ao meio-dia as chamas se intensificaram e atingiram os fundos da loja. Testemunhas contaram que o som dos fogos de artifício podia ser ouvido de longe. Ao lado do Max Shop fica a Casa Santo Antônio, também distribuidora de fogos de artifício. Durante todo o tempo, os bombeiros tentaram evitar que esta loja fosse atingida, o que poderia tornar o incêndio incontrolável.
Falta dágua - Por causa do risco de explosões, a antiga rodovia Rio-São Paulo foi interditada, provocando engarrafamento. Muitos curiosos se aglomeraram perto do local e foram retirados por bombeiros. Um helicóptero e muitas ambulâncias foram enviadas para socorrer supostos feridos. Segundo o Centro de Operações do Corpo de Bombeiros, 24 viaturas de dez quartéis foram deslocados. A falta dágua na região - provocada por um conserto em uma tubulação da Companhia Estadual de água e Esgotos (Cedae) - levou os bombeiros a usar água da piscina de uma casa .
No dia 21 de junho de 1991, 22 pessoas - entre elas uma criança - morreram em uma explosão no Bazar Santa Bárbara, que vendia fogos de artifício na rodovia Amaral Peixoto, em São Gonçalo (Grande Rio). Mesmo tendo alvará permitindo apenas a comercialização dos artigos, o dono do bazar, que já havia sido diretor da Divisão de Fiscalização de Armas e Explosivos da polícia, mantinha clandestinamente no local um depósito de pólvora e uma fábrica de explosivos. Depois da tragédia, a venda de fogos de artifício foi proibida no município do Rio, levando os donos de lojas a se estabelecer em municípios vizinhos, especialmente na Baixada Fluminense.


