São Paulo, 20 (AE) - Seis pessoas assassinadas e uma dona de casa de 50 anos em estado grave. Em menos de 12 horas, a ação dos criminosos provocou duas chacinas na cidade de São Paulo - cada uma delas com três mortes. Embora as 45 matanças ocorridas na Grande São Paulo entre 1.º de janeiro deste ano e 20 de agosto sejam inferiores às 56 registradas no mesmo período do ano passado, elas já quase se igualam aos totais de 1997 e de 1996 - os dois anos contaram 47 casos.
Ao responder, hoje, sobre o que deve ser feito para diminuir o medo da violência na região metropolitana, o governador Mario Covas (PSDB) afirmou que isso só vai ocorrer no dia que houver mais emprego, em que não houver miséria e quando parar a migração permanente para a região. "A polícia está prendendo 4.500 pessoas por mês", disse. "Quando eu assumi, ela prendia 2.000."
Quando Covas assumiu o governo, em 1995, ocorreram 49 chacinas na região metropolitana. No ano passado, esse número bateu o recorde: foram 89 matanças com 308 pessoas mortas nesses crimes. Por volta das 21h45 de ontem (19), essa estatística pulou de 43 para 44 casos em 1999.
Um bando de dez homens armados chegaram à Rua Paisagem na Janela, Jardim Antártica, zona norte, por volta das 21h45 e mataram dois homens que estavam em frente a casa Flávio Aparecido da Silva, de 19 anos. Em seguida, chamaram-no pelo nome. Silva abriu a porta e foi agarrado pelos assassinados, que o executaram com vários tiros. Ao lado de seu corpo, havia uma pistola. A polícia suspeita que o crime tenha sido motivado por uma vingança ou pelo tráfico de drogas.
A mesma suspeita serve para a polícia justificar por que três jovens, entre eles uma mulher, foram assassinados na Favela Papai Noel, em Parelheiros, zona sul. O crime ocorreu no início da manhã de hoje. A polícia encontrou as vítimas dentro de um barraco. Os bandidos também atingiram a mãe de um dos rapazes assassinados: a dona de casa A.Z.S., de 50 anos, foi alvejada na cabeça e na mão direita. Seu estado de saúde é grave.
Tendência - Esses dois casos revelam outra tendência desse tipo de crime: a concentração das matanças na periferia da cidade e nos outros municípios da Grande São Paulo. As três mortes no Jardim Antártica ocorreram no topo de um morro cheio de becos e vielas, onde, segundo a polícia, há uma grande concentração de pontos-de-venda de entorpecente. O local permite aos bandidos vigiar a região, antecipando a aproximação da polícia.
A delegacia da região, o 38.º Distrito Policial, tem apenas seis investigadores para apurar todos os crimes que ocorrem em sua circunscrição. Hoje e ontem (19), dias de visita para os 135 presos que superlotam a cadeia da delegacia, metade desses policiais ficou ocupada na revista dos parentes.
Para o coordenador do Setor de Análises de Informações Criminais do Ministério Público Estadual, o sociólogo Guaracy Mingardi, a concentração desses crimes na periferia acompanha uma tendência já verificada com os homicídios comuns: quanto mais a cidade de São Paulo se urbaniza, mais empurra os homicídios e as chacinas para os outros municípios da região metropolitana e para a periferia. Para confirmar essa tese, Mingardi cita o caso da "cracolândia", região de concentração de consumo e venda de drogas no centro de São Paulo.
"Embora um grande número de chacinas esteja ligado ao tráfico de drogas, não há chacinas na cracolândia porque a urbanização da região faz com que a possibilidade de impunidade seja menor", afirmou. Os números deste ano comparados com os de 1998 mostram que as matanças diminuíram na capital e permaneceram quase inalteradas nos demais municípios da região metropolitana.
Entre janeiro e 20 de agosto de 1998, ocorreram 32 casos em São Paulo e, neste ano, esse número caiu para 23. Já os 24 casos registrados nas outras cidades quase se igualam aos 22 casos de 1999. De acordo com a Secretaria da segurança Pública, as matanças deixaram 103 vítimas neste ano e 196 no mesmo período de 1998
Segundo o mesmo levantamento divulgado pela secretaria, a polícia esclareceu 57% dos casos da capital e 24,2% nas outras cidades da região metropolitana em 1998. Neste ano, esses índices estão em 47,8% na capital e 18,1% nas demais municípios. A assessoria do secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, informou que ele não ia se manifestar sobre esses crimes porque estava com um resfriado forte.

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