Seis mortos na 21ª chacina do ano na Grande São Paulo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de abril de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 21 (AE) - Cinco porções de maconha no bolso de Gilberto de Moura, de 21 anos. Essa é a principal prova da polícia para ligar a maior chacina do ano na Grande São Paulo com o tráfico de drogas. Desempregado, Moura foi um dos seis jovens assassinados ontem, às 21h20, em um matagal da Rua Chico Mendes, no Jardim União, em Diadema.
O crime é a 21.ª chacina registrada na Grande São Paulo em 1999. Cerca de 30% desses crimes estão ligados ao tráfico de drogas. As seis vítimas de ontem conversavam na rua quando foram cercadas pelos assassinos. Todas foram obrigadas a entrar no matagal e a deitar no chão, uma ao lado da outra. Em seguida, os assassinos atiraram em suas cabeças - a perícia técnica apreendeu no local três bonés com perfurações de bala.
Em seguida, os criminosos, que estavam armados com pistolas semi-automáticas e revólveres, fugiram. Testemunhas que escutaram os disparos telefonaram para a Polícia Militar, que despachou um carro com dois PMs para o local. Eles acharam as vítimas abandonadas no matagal - eram quatro homens e duas mulheres.
Ali estavam Moura, o maquinista Ricardo Bento Teodoro, de 24 anos, a desempregada Rosângela Mariana Siqueira, de 19, a estudante Agda Leonel, de 16, o desempregado Edmilson Tenório, de 21, e o ajudante José Leigo Soares, de 20. De acordo com a polícia, todas as vítimas ainda estavam respirando, quando foram levadas para o Pronto-Socorro Municipal de Diadema e para o Hospital Público de Diadema. Cinco das vítimas morreram logo depois. A última, o maquinista Teodoro, sobreviveu até o começo da manhã de hoje. Ele ainda foi levado ao Hospital Heliópolis, onde foi internado e operado, mas não resistiu aos ferimentos.
Os peritos da polícia foram ao local onde estavam as vítimas e encontraram seis cápsulas de balas deflagradas de pistola calibre 7,65 milímetros. Isso indica que uma arma desse tipo foi usada pelos assassinos. Além dessas cápsulas, os policiais encontraram um revólver calibre 38, com três balas disparadas e duas intactas, abandonado próximo de um muro, a 100 metros do local da chacina. A arma foi apreendida pela Delegacia Central de Diadema, que vai enviá-la para a perícia. Procurada - Os policiais pediram a elaboração de um laudo toxicológico para saber se Moura havia consumido ou não drogas. Duas das vítimas já haviam tido problemas com a polícia: o ajudante Soares e Rosângela. O primeiro já havia sido acusado de tráfico de drogas e Rosângela estava sendo procurada pela Justiça desde que fugira, em 21 de abril de 1998, da cadeia feminina do 7.º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Naquele dia, um grupo de homens dominou os funcionários da cadeia e abriu as celas da delegacia, libertando as presas.


