Seis leões foram soltos da jaula do Bosque Municipal de São Simão, na região de Ribeirão Preto, na madrugada de ontem, e mortos a tiros pela Polícia Militar poucas horas depois. A PM usou metralhadora, fuzis FAO, pistola automática 7,65 mm, espingarda calibre 12 e revólver calibre 38 para matá-los. Os animais haviam sido levados para o bosque na sexta-feira, pois as jaulas do American Country Circus, dona dos leões, não ofereciam segurança. Após a descoberta da fuga, a cidade de 12 mil habitantes ficou em pânico. Um carro de som alertou as pessoas para que não saíssem às ruas.
A polícia investiga agora a autoria da soltura dos leões - quatro machos e duas fêmeas. ‘‘Está confuso ainda’’, disse o delegado Fábio Henrique Calazans Ramos, ontem, após ouvir o depoimento de oito dos cerca de 25 funcionários do circo. Para ele, a jaula foi arrombada, pois o cadeado foi encontrado destruído.
O circo chegou a São Simão na quarta-feira, e a prefeitura concedeu um alvará provisório para três dias de apresentação. A instalação do circo ao lado de uma escola especial, no entanto, gerou protestos das mães dos alunos. Por falta de higiene, maus-tratos aos animais e falta de segurança, a prefeitura exigiu que os seis leões e um urso ficassem presos nas jaulas do bosque interditado há cerca de seis anos, do outro lado da rua.
Como o problema repete-se em todas as cidades, a direção do circo tentou transferir os leões para um zoológico, como o de Ribeirão Preto, mas não conseguiu. O que ficou definido é que uma ONG norte-americana poderia adotar os felinos, que tinham entre 3 e 11 anos. Os leões não participaram dos shows e ficaram sob vigia 24 horas por dia no bosque, por exigência da prefeitura. ‘‘O mais absurdo é que eles escaparam do bosque, não do circo’’, disse o gerente do circo, Vanderlei Rogério Moreira, inconformado com a perda dos animais. ‘‘A perda foi total.’’
‘‘Acordei às 5 horas com o barulho do carro de som’’, disse o delegado Ramos, que abriu inquérito para apurar o caso. Se o autor da soltura dos leões for preso, responderá pela prática de pôr em perigo a vida ou saúde de outrem, com pena de três meses a um ano de detenção. Um cavalo foi ferido pelos leões.

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