Seis leões são mortos pela PM
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Brás Henrique Agência Estado De São Simão, SP 
Seis leões foram soltos da jaula do Bosque Municipal de São Simão, na região de Ribeirão Preto, na madrugada de ontem, e mortos a tiros pela Polícia Militar poucas horas depois. A PM usou metralhadora, fuzis FAO, pistola automática 7,65 mm, espingarda calibre 12 e revólver calibre 38 para matá-los. Os animais haviam sido levados para o bosque na sexta-feira, pois as jaulas do American Country Circus, dona dos leões, não ofereciam segurança. Após a descoberta da fuga, a cidade de 12 mil habitantes ficou em pânico. Um carro de som alertou as pessoas para que não saíssem às ruas.
A polícia investiga agora a autoria da soltura dos leões - quatro machos e duas fêmeas. Está confuso ainda, disse o delegado Fábio Henrique Calazans Ramos, ontem, após ouvir o depoimento de oito dos cerca de 25 funcionários do circo. Para ele, a jaula foi arrombada, pois o cadeado foi encontrado destruído.
O circo chegou a São Simão na quarta-feira, e a prefeitura concedeu um alvará provisório para três dias de apresentação. A instalação do circo ao lado de uma escola especial, no entanto, gerou protestos das mães dos alunos. Por falta de higiene, maus-tratos aos animais e falta de segurança, a prefeitura exigiu que os seis leões e um urso ficassem presos nas jaulas do bosque interditado há cerca de seis anos, do outro lado da rua.
Como o problema repete-se em todas as cidades, a direção do circo tentou transferir os leões para um zoológico, como o de Ribeirão Preto, mas não conseguiu. O que ficou definido é que uma ONG norte-americana poderia adotar os felinos, que tinham entre 3 e 11 anos. Os leões não participaram dos shows e ficaram sob vigia 24 horas por dia no bosque, por exigência da prefeitura. O mais absurdo é que eles escaparam do bosque, não do circo, disse o gerente do circo, Vanderlei Rogério Moreira, inconformado com a perda dos animais. A perda foi total.
Acordei às 5 horas com o barulho do carro de som, disse o delegado Ramos, que abriu inquérito para apurar o caso. Se o autor da soltura dos leões for preso, responderá pela prática de pôr em perigo a vida ou saúde de outrem, com pena de três meses a um ano de detenção. Um cavalo foi ferido pelos leões.


