São Paulo, 01 (AE) - Seis homens mortos e a polícia não tem pistas dos autores do crime. A maior chacina do ano ocorreu minutos antes de zero hora de hoje, em um bar, em Francisco Morato, município da Grande São Paulo. Armados com pelo menos três tipos de pistolas semi-automáticas, os criminosos não deixaram testemunhas - todas as vítimas foram baleadas na cabeça.
"Estamos apurando desde a madrugada; desconfiamos de uma vingança", disse o delegado Geraldo Emílio, titular da Delegacia de Francisco Morato, que preside o inquérito sobre o crime. Essa foi a segunda chacina do ano na cidade - nove mortos ao todo. Na Grande São Paulo já são nove os crimes do tipo e 34, as vítimas. No mesmo período do ano passado, ocorreram oito matanças, com 26 vítimas.
Jogo - A vingança da qual fala a polícia pode estar ligada a dívidas ou brigas durante jogo de cartas. O bar onde o crime ocorreu ficava aberto ao público até as 22 horas. Depois, fechava suas portas, mas alguns clientes permaneciam em seu interior jogando cartas a dinheiro. Em cima do braço de uma das vítimas havia uma carta de baralho.
O que a polícia não sabia até hoje é se os bandidos estavam no bar ou se apareceram quando o dono do estabelecimento
o comerciante Ronilton Oliveira de Souza, de 38 anos, se preparava para fechá-lo, às 23h50. Quando a polícia chegou, cerca de 15 minutos depois dos disparos, os criminosos já haviam fugido em um carro - ninguém soube identificar a marca do veículo.
Souza estava caído com metade do corpo dentro e metade fora do bar, que funcionava num pequeno salão de cerca de 15 metros quadrados na Rua das Hortências, Jardim das Rosas. As outras vítimas estavam dentro do bar, exceto uma, o pedreiro Luis Gonzaga da Silva, de 31 anos, que havia sido socorrido pouco antes de a Polícia Militar chegar, por um parente que o levou à Santa Casa, onde morreu.
Os outros homens mortos foram o motorista Aluízio da Silva Lima, de 33 anos, o porteiro Averaldo da Silva Miranda, de 35, o gráfico Geraldo Paulo Araújo, de 43, e Roberto de Assis Santana, de 28. Nenhum deles havia sido preso ou respondido a processo criminal. No chão do bar, os peritos encontraram cápsulas de balas calibres 7,65 mm, 45 e 380 (este último é semelhante ao calibre 9 milímetros).
Aparentemente, os matadores não roubaram nada. O carro do comerciante, uma Ipanema, estava estacionado na frente do bar. As chaves estavam no bar, assim como R$ 419,00. Tudo foi apreendido pela polícia e entregue à viúva do comerciante. Para o delegado, não há ligação entre os dois casos ocorridos na cidade neste ano.
Números - No ano passado, o índice de esclarecimento de chacinas na cidade de São Paulo foi de 53%. Nos demais municípios da região metropolitana, de 21,9%. Dos 70 acusados de matanças identificados na capital, 26 foram presos, 6 morreram e 5 eram adolescentes. A polícia prendeu apenas 7 do 26 acusados identificados nos outros municípios da Grande São Paulo. Em 1999
ocorreram 88 chacinas com 308 mortes na Grande São Paulo.