Seis homens disparam contra sem-terra em AL
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 29 (AE) - Seis homens, ainda não identificados pela polícia, disparam hoje pela manhã na direção de cerca de 410 sem-terra acampados na fazenda Santa Maria, no município de São Sebastião, a 140 quilômetros de Maceió. Após os disparos, os pistoleiros fugiram. Ninguém ficou ferido. A fazenda tem 440 hectares.
Renan José Luiz, coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de Alagoas, disse que os tiros foram disparados por pistoleiros contratados pelo dono da fazenda, que está penhorada no Banco do Brasil. Segundo Luiz, os disparos seriam uma tentativa de intimidação, para que os sem-terra abandonassem o acampamento. "Mas nós resistiremos até a morte", afirmou.
Segundo o líder, os acampados são lavradores do Agreste. "Muitos deles trabalhavam na fazenda Santa Maria e até hoje não foram indenizados pelo fazendeiro José Cláudio." O grupo está acampado na fazenda desde 22 de março. "Entre os acampados temos 600 crianças, que podem ser as principais vítimas, caso haja um confronto com os jagunços", afirmou.
No final da tarde um grupo de sem-terra conseguiu deter cinco dos seis pistoleiros acusados de atirar contra o acampamento do MST, na fazenda Santa Maria. Os pistoleiros estavam armados com espingardas, mas não resistiram à abordagem. Eles disseram que caçavam na fazenda, com autorização do fazendeiro. "Os sem-terra tomaram a munição e depois libertaram os cinco jagunços", afirmou Luiz.
O fazendeiro José Cláudio não foi localizado. Segundo moradores da região, quando a fazenda era produtiva, ele aparecia de 15 em 15 dias, mas depois passou a monitorar a propriedade de longe, deixando a área praticamente abandonada. O delegado de São Sebastião, Rubem Natário Silveira, vai abrir inquérito para apurar o incidente.
BB - Segundo o MST, há alguns anos o fazendeiro José Cláudio solicitou empréstimo ao Banco do Brasil para o plantio de cana de açúcar. "Ele não teve como saldar o débito e a fazenda foi penhorada por R$ 300 mil", conta Luiz, acrescentando que o fazendeiro quer vender as terras por R$ 500 mil, para pagar o banco, mas não pode fazer a transação por ter contas a ajustar com a Justiça Trabalhista.


