Seis fazendas são ocupadas no Pará
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Carlos Mendes<Agência Estado 
Belém - Mais de 500 famílias ligadas à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) invadiram seis fazendas no sul e sudeste do Pará desde segunda-feira. ''Estamos cansados de esperar por uma solução do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a ordem é ocupar terras ociosas na região'', justifica a entidade. Em nota, a Fetagri promete novas invasões.
A maioria das famílias invasoras, chefiadas por trabalhadores desempregados, está sendo recrutada na periferia de cidades como Marabá, São João do Araguaia, São Domingos do Araguaia, Rondon do Pará e Eldorado dos Carajás. Segundo a Fetagri, haverá novas invasões nas próximas horas.
Os fazendeiros instalados ao longo das rodovias federais e estaduais no sul do Estado estão contratando empresas de segurança e pistoleiros para defender suas terras. O clima é de tensão e há risco de conflitos armados.
Em Rondon do Pará foram invadidas as fazendas Paraíso e Santa Mônica, que a entidade garante terem sido ''griladas'' pelos atuais proprietários. O dono da Santa Mônica é Lourival de Souza Costa, o Pirrucha, acusado de ser um dos mandantes do assassinato do diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rondon, Ribamar Francisco dos Santos. O crime foi no dia 6 de fevereiro deste ano.
A fazenda Landi, em São João do Araguaia, foi invadida pela terceira vez por 70 famílias. Ela fica perto de um quartel do Exército. Entre os municípios de Marabá e Itupiranga foi ocupada a fazenda Arapari, de 3,6 mil hectares. O proprietário do imóvel é o coronel do Exército Renato Vidal Sant'Anna, comandante em Marabá do 23º Batalhão Logístico de Selva. Oitenta e cinco famílias estão no local. Outras duas fazendas, sem denominação, estão em poder de mais de duzentas famílias.A direção do Incra em Marabá informou que não irá fazer vistoria em áreas ocupadas.


