Londrina - A equipe da Delegacia de Homícidios de Londrina investiga pelo menos seis moradores da Zona Oeste que podem estar envolvidos em uma série de homicídios que assusta a região.
A Polícia Civil aposta em novas prisões para os próximos dias, inclusive de um dos criminosos mais procurados da cidade, um assaltante de 27 anos que também controla o tráfico na região do Jardim Santiago. Este suspeito, cujo nome não foi revelado para não prejudicar as investigações, estaria envolvido em outro crime de grande repercussão, o ataque a tiros contra uma equipe da Guarda Municipal no Jardim Leonor.
O delegado operacional Edgar Soriani, que acumula temporariamente também o comando da Delegacia de Homicídios, espera que com as novas prisões o confronto entre a gangue dos jardins Leonor e Santiago contra o grupo das favelas Pantanal e Vila Rica, enfim, acabe.
A polícia garante que os últimos cinco homicídios registrados em Londrina não têm qualquer relação com a ''guerra''. O último assassinato ligado ao conflito foi registrado, segundo a polícia, no dia 2, quando Guilherme Aparecido Vieira da Silva, de 18 anos, foi morto a tiros na Rua Amendoinzeiro, no Jardim Santiago.
O conflito entre os dois grupos começou há quase cinco meses, de maneira casual, numa briga de trânsito entre um carroceiro e um motociclista na esquina da Avenida Jules Verne com a Rua Figueira, no Jardim Leonor, um conhecido ponto de tráfico de drogas da Zona Oeste.
A ''trégua'', que completa hoje nove dias, estaria relacionada à prisão de Rodinaldo Vieira Matias, de 22 anos, que comanda o tráfico nas favelas do Pantanal e da Vila Rica.
Ele cumpre prisão temporária por ser suspeito de matar Alisson Constant Chagas, em junho, na favela Vila Rica. A irmã de Rodinaldo, Fernanda Vieira Matias, 25, suspeita de ajudar o traficante na venda de drogas, também está presa.
Rodinaldo foi preso depois de deixar o hospital esta semana. Numa tarde de domingo, 30 de junho, ele escapou de uma emboscada na Rua Amendoinzeiro, no Jardim Leonor. Ele dirigia um Peugeot 206 quando foi surpreendido por atiradores que estavam em outro veículo. Ferido, Rodinaldo foi detido pela polícia quando buscava ajuda na Rua Pantanal. Após a identificação, a polícia constatou que ele era foragido da Justiça. Depois de ser hospitalizado e se recuperar, foi encaminhado à Casa de Custódia.
De acordo com o investigador Cláudio Aparecido de Santana, o fato de Rodinaldo ter sobrevivido reacendeu o conflito, que registrou mais duas mortes nos dias seguintes, ambas baixas do grupo do Leonor/Santiago. A polícia acredita que a morte de Rodinaldo na emboscada da Amendoinzeiro encerraria a disputa.
A prisão do outro cabeça da disputa, o líder da gangue do Leonor/Santiago, aposta os policiais, daria uma sensação de maior equilíbrio na disputa, o que também ajudaria a se consumar uma trégua definitiva.
Movida à vingança, a matança de jovens na Zona Oeste começou por causa de uma briga de trânsito entre o carroceiro Fabrício Roberto da Silva, de 33 anos, e um adolescente, de 17. Silva, que não tinha passagem pela polícia, era amigo de infância de Rodinaldo. Ele foi morto a tiros em casa pelo adolescente, na Rua Pantanal, dias depois da briga.
Rodinaldo, que foi um garoto criado na Rua Pantanal em meio ao célebre conflito com o grupo do Jardim Nossa Senhora da Paz, conhecido como Favela da Bratac, na virada dos anos 90 para os 2000, decidiu que iria vingar a morte do amigo. No início de junho, Denis Henrique dos Santos foi executado a tiros no Jardim do Sol.
Em seguida, foi a vez da gangue do Leonor/Santiago se vingar. Vagner Henrique Gonçalves, o Esquisito, que pertencia ao grupo de Rodinaldo, foi morto perto de casa no Jardim Leonor.
Após um aparente cessar-fogo, de cerca de três meses, quando, segundo a polícia, Rodinaldo soube que estava sendo planejada sua morte, a gangue do Vila Rica/Pantanal decidiu se antecipar e teria matado Caio Alvares Beraldo, 19, a quarta vítima, morta no dia 23 de setembro. Após a emboscada a Rodinaldo na Rua Amendoinzeiro, a guerra recomeçou.

Imagem ilustrativa da imagem Seis estão sob investigação na guerra da Zona Oeste
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