Porto Alegre, 27 (AE) - Seis equipes da Delegacia Regional do Ministério da Agricultura estão procurando lavouras de soja transgênica no Rio Grande do Sul. É o que afirmou hoje, o delegado regional do Ministério, Odalmiro Paz Dutra, ressaltando que está cumprindo a determinação do juiz da 6a. Vara Federal de Brasília, Antonio Souza Prudente.
Na semana passada, o juiz ordenou ao Ministério a localização e destruição das plantações transgênicas. Extraoficialmente, haveria de 600 mil a um milhão de hectares semeados com soja geneticamente alterada no Estado, atividade proibida no Brasil, por decisão judicial, há quatro meses. "Até agora nada encontramos", admitiu Dutra. A área total plantada com soja, de qualquer tipo, no Rio Grande do Sul atinge três milhões de hectares.
Dutra assegurou que, antes mesmo da ordem judicial, suas equipes já rastreavam os transgênicos. "Mas nunca localizamos nenhuma lavoura", reconheceu. Ele não quis dizer em que regiões do Estado os seis grupos -- ao todo são 24 funcionários -- estão atuando.
As equipes devem coletar amostras nas plantações sob suspeita para posterior exame no laboratório da Embrapa-Trigo, de Passo Fundo/RS. Confirmada a alteração genética, será lavrado auto de infração contra o proprietário da área. No momento seguinte, segundo a decisão judicial, deverá ser destruída a lavoura através de incineração. O delegado não sabia, porém, como executar a tarefa neste ponto. "Teremos que ver como fazer", disse, embora reafirmando que cumprirá a determinação. Adiantou que o trabalho será feito "em expediente normal" e interrompido nos dias 31, 1o. e 2 devido aos feriados de fim-de-ano. Segundo ele, as denúncias recebidas por telefone também serão checadas pelos fiscais -- o telefone da delegacia é 512210744.
Ação - O presidente da Federação da Agricultura/RS (Farsul), Carlos Sperotto, afiançou hoje que a entidade "não colocará qualquer obstáculo" à atividade dos fiscais. "Mas estranhamos a maneira como isto está sendo colocado. Fomos pegos de surpresa", comentou, referindo-se à decisão de Brasília. Para ele, trata-se de "uma ação policialesca". Sperotto acha difícil que a ordem de incineração dos plantios transgênicos seja cumprida. "Como vão colocar fogo em algo verde?", indagou.
Na quinta-feira (23), o juiz Antonio Souza Prudente mandou o Ministério da Agricultura deslocar imediatamente "tantos técnicos quantos bastem" para fiscalizar, apreender, destruir e incinerar todas as plantações, para fins comerciais, de soja transgênica no Estado. Ele atendeu a ação cautelar movida pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Prudente ordenou ainda que a Polícia Federal seja chamada para auxiliar na tarefa e que quem resistir ao cumprimento da ordem judicial seja preso em flagrante, estando ainda sujeito a multa de dez salários mínimos por dia.
Monsanto - Multinacional que desenvolveu a soja transgênica, a empresa norte-americana Monsanto recorreu da sentença de primeira instância ao Tribunal Regional Federal, da 1a. Região, em Brasília. A primeira sentença contra a semeadura comercial da soja da Monsanto, vetando seu cultivo em todo o País, é de agosto deste ano. Acredita-se que as sementes de soja transgênica plantadas no Rio Grande do Sul tenham sido contrabandeadas da Argentina.

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