São Paulo, 17 (AE) - Os professores da rede estadual de São Paulo escolhem amanhã (18) os novos integrantes da Diretoria da Apeoesp, o sindicato da categoria. São seis chapas concorrendo à presidência da entidade, que congrega cerca de 140 mil associados. Nunca em toda a história do sindicato tantas chapas disputaram a eleição. O desestímulo da categoria - segundo os professores, impulsionado pelas políticas educacionais da secretária Rose Neubauer - e a apatia da atual diretoria são as alegações dos candidatos para a "corrida" à presidência da Apeoesp.
O traço comum entre os concorrentes são as críticas ao sistema educacional vigente e à inexpressividade da diretoria, dirigida por Roberto Felício, há 6 anos no cargo em dois mandatos consecutivos. Além disso, todas as chapas têm como uma das bandeiras a unificação da categoria.
Apesar de todas essas semelhanças, os professores montaram chapas diferentes na eleição. "Divergências internas levaram à divisão da oposição", explica a candidata pela chapa 1, Berenice Palma, de Campinas. As chapas 1, 2, 3 e 4, encabeçadas pelos professores Berenice, Ana Raquel Cerchiari, José Luis Feijó Nunes e Sílvio de Souza, são consideradas oposição.
A chapa 6, da atual vice-presidente, Maria Izabel Azevedo Noronha, é da situação. A chapa 5, representada pela ex-deputada Bia Pardi, apresenta-se como oposição, apesar de os outros candidatos a considerarem situação, pois alguns dos integrantes são da atual diretoria.
Poder - Para muitos professores, essas divergências mostram como se configura a disputa interna para comandar um dos maiores sindicatos da América do Sul. "A participação dos professores no sindicato diminui a cada ano e a entidade é responsável por esse afastamento", diz a professora Lucila Márcia Turri, de São Paulo. "Existe uma grande preocupação com o poder e o sindicato só aparece nas grandes mobilizações e nas eleições", afirma Lucila.
O perfil atual da Apeoesp difere daquele do início da década de 80, em que sindicato era atuante e lotava praças e avenidas durante as manifestações. "Além da efervescência política da época, o sindicato promovia a união dos professores", afirma a professora Eulina Pacheco Lufti, que integrou um grupo de pesquisa sobre a história da entidade no período de 1978 e 1988.
Do trabalho, foi publicado o livro Apeoesp 10 anos. "Havia espaço para discussões e a Apeoesp, além de seu papel político, também participava da formação dos professores", relembra. O início da estagnação do sindicato coincide com o arrefecimento dos movimentos sindicais, no fim de 80.
Para os professores, o golpe maior veio com o governo Covas. "A reestruturação da educação, as demissões, a municipalização do ensino e o fechamento de delegacias de ensino desestruturaram os professores", afirma José Luis Feijó Nunes, da chapa 3. A grande queixa da categoria foi a imobilidade do sindicato diante das mudanças da rede. "Há um descontentamento geral", afirma Bia Pardi, da chapa 5.
A eleição será das 8 às 21 horas. "Urnas-móveis serão levadas em quase todas as escolas para a votação, pois a secretária retirou o abono do ponto", explica Roberto Felício.

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