Seis brasileiros morrem no Chile por inalação de gás
Turistas estavam de férias e tinham alugado um apartamento no centro de Santiago
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sexta-feira, 24 de maio de 2019
Turistas estavam de férias e tinham alugado um apartamento no centro de Santiago
France Presse 
Santiago - Seis turistas brasileiros morreram nesta quarta-feira (22) em um apartamento de Santiago após terem inalado gás, supostamente monóxido de carbono, informou o comandante da Polícia da capital chilena. Os turistas estavam de férias e tinham alugado um apartamento no centro da cidade, onde sentiram um mal-estar físico, o que os levou a pedir ajuda ao cônsul brasileiro, que se dirigiu ao local, acompanhado de efetivos da Polícia. Quando chegaram, tiveram que entrar à força no apartamento, onde encontraram os corpos.

"Pudemos constatar que havia seis pessoas falecidas, quatro adultos e dois menores, e que possivelmente sua morte teria sido provocada por emanação de gás", disse o comandante Rodrigo Soto à imprensa local. O Corpo de Bombeiros procedeu à evacuação imediata do edifício. Depois, foram feitas medições no apartamento, onde se descobriram altas concentrações de monóxido de carbono, gás que não tem cheiro e cuja inalação provoca a morte. Os seis turistas brasileiros estavam no Chile há uma semana e o apartamento foi alugado por meio de um aplicativo na internet.
Quando a polícia entrou no local, notou que todas as janelas estavam fechadas, o que teria provocado a grande concentração do gás, explicou Soto. Os policiais isolaram as ruas vizinhas ao prédio e iniciaram uma investigação para confirmar as causas das mortes dos turistas, enquanto os bombeiros faziam buscas por possíveis vazamentos de gás no local.
A família dos seis turistas brasileiros encontrados mortos havia viajado para Santiago para comemorar o aniversário de Karoliny Nascimento de Souza, uma das vítimas, que faria 15 anos nesta sexta-feira (24). Além de Karoliny, também morreram seu pai, Fabiano de Souza, 41; sua mãe, Débora Muniz Nascimento de Souza, 38; seu irmão Felipe Nascimento de Souza, 13; e seus tios Jonathas Nascimento, 30, e Adriane Kruger, 27. Jonathas era irmão de Débora.
Familiares identificaram as vítimas na manhã desta quinta-feira (23). Os pais dos dois adolescentes moravam no Balneário de São Miguel em Biguaçu. Jonathas também era catarinense, mas vivia em Hortolândia (a 97 km de São Paulo), na região de Campinas. Sua mulher, Adriane, era natural de Goiás.
O governo de Santa Catarina informou, por nota, que acompanha a investigação das circunstâncias das mortes pelas autoridades chilenas. A Prefeitura de Biguaçu, onde quatro das vítimas moravam, decretou luto oficial por três dias na cidade. Ao saber do acidente, a família lidava com outra dor: a morte da mãe de um dos turistas, ocorrida pouco antes da tragédia em Santiago.
PLATAFORMA
São Paulo - Em caso de um acidente durante uma hospedagem contratada via Airbnb, há dúvidas no meio jurídico sobre a responsabilidade da plataforma. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a decisão tem sido tomada caso a caso, pois não há leis específicas no Brasil para esse tipo de serviço. Assim, as ações sobre ocorrências nessas estadias têm sido julgadas com base nas regras para aluguéis de imóveis e no Código de Defesa do Consumidor.
A questão foi reforçada pelo acidente ocorrido em Santiago, no Chile, na quarta-feira (22). Seis brasileiros de uma mesma família morreram por um vazamento de gás em um apartamento alugado via Airbnb.
Marco Antonio Araújo Jr., assessor-chefe do Procon em São Paulo, ressalta que o primeiro passo é avaliar se a responsabilidade foi dos hóspedes. "Só a investigação poderá dizer se o vazamento ocorreu por um problema de manutenção do imóvel ou porque alguém fez um uso incorreto das instalações", apontou.
"Pelo Código de Defesa do Consumidor, a plataforma é corresponsável pela locação porque também se beneficiou com a transação. E ela precisa ter certeza de que o imóvel anunciado está apto para locação", defendeu Marcelo Fortes, advogado especialista em direito do consumidor. "Como as plataformas são um serviço novo, não há lei específica", disse Juliana Moya, especialista em Relações Institucionais da Proteste. Como a reserva foi feita no Brasil, mas as mortes ocorreram no Chile, podem caber processos nas Justiças dos dois países.
O Airbnb, ferramenta pela qual o casal alugou o apartamento, prometeu dar assistência aos parentes das vítimas. "Estamos profundamente consternados com este trágico incidente. Nós nos solidarizamos com os familiares e estamos em contato para prestar todo apoio necessário aos familiares neste momento difícil. A segurança de nossa comunidade de viajantes e anfitriões é a nossa total prioridade", disse a empresa, em nota.
O aplicativo possui um seguro para proteger danos aos imóveis e indenizar os proprietários se ocorrerem problemas. Em situações de acidentes com turistas, as situações são avaliadas caso a caso, segundo a assessoria de imprensa do Airbnb.(Com Folhapress)


