'Sei sim trabalhar em equipe', responde Dias a FHC
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Tânia Monteiro e Edson Luiz 
Brasília, 14 (AE) - O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias afirmou hoje, ao deixar o cargo, que sabe trabalhar em equipe, em respostas às críticas veladas do presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Sei sim trabalhar em equipe", disse o ex-ministro. Dias disse que sai consciente de que nunca traiu a confiança de Fernando Henrique, mas advertiu que a Polícia Federal (PF) tem de ter um "comando único", como acontece nas Forças Armadas.
Aplaudido de pé por um auditório repleto de funcionários e políticos, que o novo ministro, José Gregori, classificou como "assembléia geral", o ex-ministro da Justiça afirmou ser um "galo de briga". "Temos de ter coragem de ousar e eu ousei"
disse o ex-ministro, ao comentar que voltava feliz para a advocacia.
"Nós não deixaremos ceder àquelas tentações autoritárias e arbitrárias de combater o crime a qualquer preço", atacou Dias, depois de ressaltar que não se pode permitir que as cláusulas pétreas da Constituição - da qual ele segurava um exemplar durante o discurso - sejam alteradas. Ao fazer essas afirmações, Dias, mais uma vez, referia-se, indiretamente, às divergências em relação ao comando das operações de combate ao narcotráfico, que levaram à saída do cargo.
"Não se pode inverter o ônus da prova", afirmou, criticando uma das propostas do juiz Wálter Maierovitch, também demitido da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), por alimentar a discussão com Dias. Dias justificou a atitude de emitir uma nota oficial criticando o juiz não como quebra de hierarquia, mas como necessidade de marcar a posição e o inconformismo.
Mas ele assegura que tudo foi feito em respeito à democracia. "Conheço a Polícia Federal de longa data, conheço seus defeitos, suas deficiências e suas virtudes", comentou ele
acrescentando que entregava a Gregori uma PF "longe do ideal"
mas valorizada na auto-estima e compreendendo o que é disciplina e respeito.
O ex-ministro passou às mãos de Gregori o texto do Plano Nacional de Segurança Pública, elaborado sob a coordenação dele e entregue a Fernando Henrique. No discurso, Dias lembrou ainda que esta era a segunda vez que transmitia um cargo a Gregori e ressaltou que o novo ministro poderia, com o brilho, dar ao ministério a grandeza que ele não pôde dar.
Gregori agradeceu o apoio da mulher, Maria Helena Gregori. Nesse momento, Dias levantou-se e foi até a platéia onde estava Maria Helena, conduzindo-a para a mesa principal, onde ele estava acompanhado da primeira-dama Ruth Cardoso. Maria Helena chorou.


