Seguranças repelem invasão de sem-terra com tiros
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Luiz Carlos Lopes 
Marília, SP, 24 (AE) - Cerca de 100 famílias ligadas ao Movimento dos Sem-Terra (MST) do Pontal do Paranapanema foram expulsas à bala hoje da fazenda Guarani, em Sandovalina, por oito seguranças, em ação destinada a repelir a invasão da propriedade. Os sem-terra, que já haviam entrado na fazenda, destruindo cercas e colocando fogo nas pastagens, tiveram de sair correndo, retornando para o acampamento montado ao lado, dentro da Fecularia Larreira , empresa arrendada pelo MST.
A denúncia da ação armada foi feita pelo coordenador do MST no Pontal, Cledson Mendes que acusa o proprietário da fazenda Guarani, Tideo Sandoval, de usar duas camionetas para transportar os seguranças. Segundo Mendes, dezenas de disparos foram feitos, mas ninguém ficou ferido.
Apesar de legalmente pertencer a Tideo Sandoval, a área invadida, com 102 alqueires, foi recentemente adquirida pelo pecuarista Juventino Alexandrino Dias. Na delegacia de Polícia de Sandovalina ele denunciou a invasão da fazenda e acusou os sem-terra de terem roubado sete bois. Segundo Dias, pelo menos 30 alqueires de pastagens e vários quilômetros de cercas foram destruidos. O fazendeiro confirmou a reação armada dos seguranças que, segundo disse, trabalham para proteger a área remanescente da fazenda, ainda pertencente a Sandoval, que não foi localizado ontem para falar à respeito. Em sua casa a informação era de que ele estava na fazenda onde não há meios de comunicação telefônica.
Devoluta- De acordo com Cledson Mendes a fazenda Guarani figura na relação de propriedades consideradas devolutas no Pontal do Paranapanema e até recentemente sua aquisição pacífica estava sendo negociada pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo -Itesp. O orgão já teria liberado parte dos Títulos da Dívida Agrária (TDAs) para pagar pelas benfeitorias existentes.
Mendes não sabe os motivos mas garante que o fazendeiro desistiu da negociação e montou forte esquema de segurança armada para proteger a propriedade. Segundo aquele dirigente, um grupo de sem-terra que está acampado em área pertencente a Fecularia Larreina, empresa arrendada pelo MST para a industrialização de mandioca produzida pelos assentados e localizada ao lado da fazenda Guarani, há vários meses vem reivindicando a propriedade para a instalação de mais um assentamento. Hoje o grupo decidiu invadir a área para pressionar o Itesp e o proprietário a acelerar sua negociação.


