Seguranças podem ser indiciados
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 1999
Agência Estado 
O delegado Antônio Carlos Azevedo Lessa, responsável pelo inquérito que apura as mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino, disse ontem que não descarta a possibilidade de indiciar os ex-seguranças de Farias pelo duplo assassinato.
Estamos colhendo elementos que podem chegar a essa possibilidade, afirmou Lessa, que descarta a hipótese de crime passional, defendida pela polícia alagoana e pelo médico legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp.
Com base na perícia técnica e nas falhas que encontramos no laudo do legista Badan Palhares, sobretudo com relação à diferença na altura de Suzana e na posição que o corpo dela foi encontrado, descartamos a hipótese de homicídio seguido de suicídio, afirmou Lessa, que comanda as novas investigações,junto com o delegado do 3º Distrito Policial (DP), Alcides Andrade - o mesmo que investiga o recente assassinato do sargento da Polícia Militar Rinaldo Lima, ex-segurança de PC.
Para Andrade, a morte de Lima pode ter sido queima de arquivo. Por isso, o delegado investiga se o assassinato do ex-segurança tem ligação com a reabertura do caso PC. O sargento foi assassinado com três tiros de revólver na sexta-feira da Paixão.
Segundo Andrade, a mulher de Lima foi chamada para depor sobre a morte do marido, mas não compareceu. Como ela está para depor no inquérito do caso PC, vamos aproveitar para a ouvir também sobre a morte de Rinaldo, afirmou Andrade, acrescentando que o traficante José Marcos Barbosa, de 23 anos (conhecido por Boi), apontado como assassino do sargento, está desaparecido. Para o delegado, Boi deve ter sido assassinado por queima de arquivo ou vingança pessoal.
Os delegados começam na terça-feira a ouvir os peritos alagoanos que atuaram no caso: Gérson Odilon, Nivaldo Cantuária, Horácio Brasileiro e Anita Gusmão. Na próxima quarta-feira, ouvirão os delegados Cícero Torres (que presidiu a primeira fase do inquérito) e Antonio Monteiro. Depois, prestam depoimento os ex-seguranças, os empregados que estavam na casa no dia do crime e os demais ouvidos na primeira fase do inquérito.
Palhares será ouvido após o dia 15, quando vence uma licença médica apresentada aos delegados. Para Lessa, o depoimento dele é de fundamental importância, uma vez que, no laudo dele, foi detectado erro na altura de Suzana, que muda completamente a trajetória da bala. Além disso, o delegado estranha por que não tinha mancha de sangue de Suzana na arma do crime, por que rasgaram a parte das assinaturas nos documentos dela e por que o celular da namorada de PC continua sumido.


