Maceió, 09 (AE) - Os soldados PMS José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos foram indiciados hoje como co-autores das mortes de Paulo César Farias e sua namorada Suzana Marcolino, ocorridas em 23 de junho de 1996, em Maceió. O indiciamento dos dois foi oficializado durante o interrogatório a que foram submetidos, nas sede da Polícia Federal, em audiência comandada pelos delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que presidem o inquérito policial que investiga o caso. Os Pms trabalhavam como seguranças de PC e estavam na casa de praia do empresário no dia do crime, quando os corpos foram encontrados. Eles se recusaram a responder todas as perguntas dos delegados, alegando que só falam em juízo.
Para o delegado Alcides Andrade, os seguranças sabem muito mais do que disseram nos dois depoimentos que deram aos delegados Cicero Torres (primeiro inquérito) e Jobson Cabral (segunda fase do inquérito). "Se eles silenciaram e disseram que só se pronunciam em juízo é porque já se conformaram com o indiciamento" afirmou Andrade. Segundo ele, foram feitas para os dois Pms cerca de 80 perguntas, mas nenhuma foi respondida. O interrogatório foi acompanhado pelo advogado da família Farias, José Fragoso Cavalcanti, que defende os quatro seguranças apontados como suspeitos das mortes de PC E Suzana. "Se não mataram no mínimo foram cúmplices do crime" afirmou Andrade.
Segundo os delegados, os outros dois seguranças de PC, os cabos Pms Reinaldo Correia de Lima Filho e Adeildo Costa dos Santos, também serão indiciados oficialmente, quando for iniciado o interrogatório, marcado para esta quinta-feira, pela manhã, na sede da PF. "Nós pedimos a prisão temporária dos quatro seguranças porque não concordamos com a versão de homicídio seguido de suicídio, apresentada na primeira fase do inquérito. Por isso, decidimos indiciá-los como co-autores não só na morte de Suzana como do assassinato de PC", afirmou Andrade, acrescentando que nos autos do inquérito, nos novos laudos e nos novos depoimentos existem elementos suficientes que justificam a tese do duplo homicídio.
O advogado Fragoso disse que Reinaldo e Adeildo também vão devem falar, porque se reservam o direito constitucional de manterem calados. "Eles não falam porque acharam o indiciamento absurdo", afirmou Fragoso, que conseguiu colocar os quatro seguranças em liberdade por meio de um habeas corpus, com pedido de liminar, julgado no último domingo pelo presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador Orlando Cavalcante Manso.
Os quatro Pms foram presos no dia 2 de junho e libertados na segunda-feira (07). A prisão temporária por 30 dias foi decretada pelo juiz da 2ª Vara Especial Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima, acatando ao pedido feito pelos delegados.
Fragoso revelou que entregou o pedido de habeas corpus, em mãos, ao presidente do TJ, no domingo às 15h20, na casa de praia do desembargador, em Paripueira, município do Litoral Norte do Estado, a 37 quilômetros de Maceió. A decisão de Manso está para ser julgada nesta quinta-feira pela Câmara Criminal do Tribunal, porque há dúvidas quanto a competência dele para conceder liminar fora de recesso forense. Na sexta-feira passada, Manso se reuniu com o deputado federal Augusto Farias (PPB) para tratar desse assunto. O presidente do TJ confirmou o encontro com o deputado, mas o advogado Fragoso disse que não participou da reunião.
Os delegados disseram que receberam um documento do Ministério da Justiça, solicitando informações sobre o andamento das investigações. "As informações foram solicitadas pelo deputado federal José Dirceu do PT de São Paulo", informou o delegado Lessa. Segundo ele, o pedido será atendido por meio de um relatório a ser encaminhado ao Ministério da Justiça. Os dois delegados devem viajar na segunda-feira a São Paulo, onde irão ouvir o depoimento de um detetive contratado por PC para seguir Suzana. O dentista Fernando Colleone, para quem Suzana deixou mensagens gravadas na secretária eletrónica antes de morrer, também poderá ser ouvido.
A intenção dos delegados é entregar a conclusão do inquérito na próxima quarta-feira, 16 de junho, um dia antes do debate entre as duas equipes de peritos que assinam laudos sobre o caso: Fortunato Badan Palhares (Unicamp) e Daniel Munhoz (USP). Para os delegados, o resultado desse debate é irrelevante, porque só vem reafirmar a tese de duplo assassinato. Antes de concluir o inquérito, os delegados esperam realizar uma acareação entre o padrasto de Suzana, Eraldo Lisboa Rodrigues, e o PM Reinaldo , que chefiava os seguranças de PC na época do crime. Segundo Eraldo, Reinaldo teria dito a ele (Eraldo) que quando a janela do quarto foi arrombada Suzana ainda estava viva.

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