Maceió, 03 (AE) - Os policiais militares Adeildo Costa dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos, acusados das mortes do empresário Paulo Cesar Farias e de sua namaorada,. Suzana Marcolino, continuam presos nos batalhões da PM onde estão lotados. Segundo a assessoria do Comando Geral da PM, até o final da tarde não havia nenhuma determinação superior para transferi-los para o 1º Batalhão, onde funciona a prisão militar. "Eles só sairão do quartel para prestar depoimento aos delegados que presidem o inquérito, mesmo assim sob escolta policial e desarmados", disse o oficial de plantão. A prisão temporária por 30 dias foi decretada pelo juiz Alberto Jorge Correia de Lima, atendendo ao pedido dos delegados que investigam o caso.
A família Farias, que destacou um advogado para defender os seguranças, recusou-se hoje a comentar a prisão temporária dos Pms. "Nós não temos nenhuma posição quanto a isso, você fala com o nosso advogado, o Fragoso", disse o empresário Cláudio Farias. O advogado da família, José Fragoso Cavalcante não foi localizado pela reportagem. Na quarta-feira, ele disse que analisaria a possibilidade de entrar com pedido de habeas corpus para tentar colocar os Pms novamente em liberdade.
Cavalcante estava no Fórum de Maceió, para falar com juiz Alberto Jorge Correia de Lima, acompanhado do advogado João Batista Boleado Filho, que também trabalha para a família Farias. Os dois confirmaram que estavam ali, constituídos pela família Farias, para defender os supostos assassinos de PC e Suzana.
Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandam as investigações sobre o caso, confirmaram que vão ouvir no início da próxima semana o depoimento do deputado federal Augusto Farias (PPB). Segundo Lessa, o deputado será ouvido porque foi o último a sair e o primeiro da família a chegar na cena do crime. "Não temos nada contra ele, queremos cruzar informações, checar horários e telefonemas", afirmou Lessa, acrescentando que a mulher de Augusto, Milena, também deverá prestar depoimento. Ela participou do jantar na casa de praia de PC, na noite anterior ao crime.
O delegado Cícero Torres, responsável pela primeira fase do inquérito policial sobre as mortes de Paulo César farias e Suzana Marcolino, disse hoje que achou "hilária" a decisão do juiz da 2ªVara Especial Criminal de Maceió, Alberto Correia de Lima, de decretar a prisão temporária por 30 dias dos quatro Pms que trabalhavam como segurança de PC na época do crime. "Três anos depois do crime, não tem sentido pedir a prisão temporária de supostos envolvidos, quando eles não oferecem riscos às investigações", afirmou Torres, acrescentando "o que define um pedido de prisão temporária é a possibilidade de prejuízo ao trabalho investigativo".
Na primeira fase de investigação, Torres chegou a conclusão que Suzana havia matado PC e depois se suicidado. Essa tese, que foi referendada pelo médico legista Fortunato Badan Palhares, foi descartada pelos delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandam a reinvestigação sobre o caso. Para eles, PC e Suzana foram assassinados.
Com base nessa linha de investigação, os delegados indiciaram os quatro seguranças, alegando que eles estavam na casa no dia do crime, teriam ouvido os tiros e violaram a cena do crime. "Essa linha de raciocínio é aparentemente lógica, mas faltam provas materiais que incriminem os seguranças", afirma Torres, que autorizou incinerar o colchão e os lençóis usados pelo casal. "Os delegados que presidem essa atual fase do inquérito devem ter alguma prova que não consegui quando estive a frente das investigações", afirmou Torres. "Caso contrário, pegaram os seguranças como bodes expiatórios."
O promotor Luiz Vasconcelos, responsável pela reabertura das investigações sobre o caso, discorda de Torres. Para Vasconcelos
a prisão temporária dos seguranças foi solicitada para dar tranquilidade aos delegados na conclusão do inquérito. Além disso, o promotor confirmou que já recebeu várias ameaças de morte, por meio de telefonemas anônimos, inclusive para sua família, pedindo para que ele abandone o caso ou não aprofunde as investigações. "Tem motivos maiores do que esses para pedir a prisão temporária dos envolvidos?", questionou o promotor.

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