Marcelo Hide/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)DissuasãoSeguranças da Fazenda Ouro Verde, em Presidente Bernardes, no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, caminham encapuzados e com armas na mãoSeguranças armados impedem invasão
Agência Estado
Um grupo de seguranças armados e encapuzados impediu ontem que cerca de cem integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupassem a Fazenda Ouro Verde, em Presidente Bernardes, no Pontal do Paranapanema (SP). Os seguranças intimidaram os sem-terra mostrando ostensivamente suas armas, mas não chegaram a disparar. Os sem-terra conseguiram destruir uma parte da cerca. Em seguida retornaram ao acampamento, distante quatro quilômetros da propriedade.
A invasão da Fazenda Ouro Verde, pertencente ao pecuarista Leonildo Denari Júnior, presidente do Sindicato Rural de Bernardes e integrante da União Democrática Ruralista (UDR) deveria acontecer às 7h30, logo depois que o líder - identificado apenas como ‘‘Duda’’ - ter feito uma assembléia entre os acampados.
Os sem-terra caminhavam a pé pela estrada que liga Bernardes a Mirante do Paranapanema quando os seguranças, usando capuzes, passaram a observá-los. Nos limites da propriedade a intimidação foi acentuada com a exibição das espingardas que portavam.
A Polícia Militar tentou revistar uma caminhonete onde Denari e seu filho estavam, mas o veículo saiu rapidamente, enquanto o proprietário conversava com os policiais. O fazendeiro confirmou que possui seguranças armados e admitiu que a ordem era para que os sem-terra fossem repelidos. ‘‘Se tentar entrar, reajo’’, afirmou. Ele explicou que sua fazenda, com área de 750 alqueires, é ‘‘altamente’’ produtiva com 400 alqueires de cana, 80 de tomate irrigado e 10 de lavouras de milho, além da área de pastagem.
Segundo ele, o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Ipesp) vem manifestando interesse em adquirir a área sob a alegação de que ela está localizada em perímetro declarado devoluto pela Justiça. Ele chegou a admitir que poderá fazer um acordo que permita a transformação da fazenda em área de assentamento.
Em Presidente Bernardes, o delegado Glauco Roberto Marques Moreira, disse à tarde que não havia sido informado dos fatos pela Polícia Militar mas adiantou que pretende fazer investigações para apurá-los. O delegado antecipou, porém, que ‘‘se não ocorreram disparos e as armas estão registradas não há crime a ser apurado’’.
O principal líder do MST do Pontal, José Rainha Júnior, acusou ontem o delegado de polícia de Sandovalina, Marco Antônio Scaliante Fogolin, de forjar a prisão em flagrante do assentado Reginaldo de Carvalho, sob acusação de incendiar uma área de mata. A intenção, segundo Rainha, seria tentar incriminar os líderes do movimento. O delegado negou a acusação.
A prisão de Carvalho aconteceu na tarde de anteontem quando o assentado foi acusado, por seguranças da Fazenda São Domingos, de colocar fogo na propriedade. O delegado informou que o preso havia admitido que estava agindo sob orientação de Rainha, motivo pelo qual o líder também seria indiciado no inquérito por crime de incêndio que ele instaurou. Rainha negou que tenha dado qualquer orientação naquele sentido e acusou a polícia de fazer uma prisão ilegal.

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