Segurança será redobrada na visita
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaJoão Paulo II, que vem em outubroUma das principais preocupações da Polícia Federal, da Interpol e do FBI é impedir a entrada de terroristas no Brasil, durante a visita do Papa João Paulo II no Rio de Janeiro, segundo o presidente da Comissão Nacional de Organização da Visita Papal, embaixador Flávio Perri. O Pontífice será cercado de cuidados para não ser surpreendido por sequestro ou balas perdidas. A preservação física do Papa será garantida por 30 agentes federais de elite, que ficaram no raio de dez metros de João Paulo II.
Haverá duas simulações do plano de segurança e trânsito - a primeira, nos dias 13 e 14 - e a segunda, nos dias 25 a 28, esta com horários rigorosos, e coincidência até dos dias da semana em que João Paulo II ficará na cidade, de quinta-feira a domingo. Em setembro, o superintendente da PF no Rio, delegado Jairo Kullman, coordenará um curso envolvendo 200 agentes, que apreenderão a lidar com situações de risco, evacuações rápidas e tratamento com autoridades.
Para evitar a presença de terroristas, os órgãos de inteligência já fizeram levantamentos de eventuais incidentes em locais recentemente percorridos pelo Papa. Os suspeitos são imediatamente incluidos em um index. Segundo Perri, a segurança e a saúde do Papa ficarão a cargo dos órgãos federais. A Comissão Nacional envolve o Ministério das Relações Exteriores, a Embratel, os ministérios miltares e os órgãos de transporte e serviços médicos ligados ao gabinete da Presidência da República, além da Embratel, resposável pelo sistema de comunicação.
O Plano de Segurança da visita do Papa, aprovado dia 28 de julho, demorou quatro meses para ser elaborado e foi submetido à missão do Vaticano, que vem acompanhar o Pontífice. O planejamento de segurança, tanto da comitiva do Papa quanto das multidões, está sendo coordenado no Comando Militar do Leste, com o apoio das forças federais e da Secretaria de Segurança Pública do Rio, que mobilizará 50 mil homens das Polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros.
A Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública farão o controle (verificação e vigilância) de todas as áreas estratégicas, como os acessos de Santa Teresa, o caminho do Alto da Boa Vista, o Aeroporto Internacional do Galeão e o Riocentro. No CML, ficará instalado o quartel-general das forças de segurança, que disporá de telefones, computadores, rádios, com informações imediatas sobre o percurso do Papa sendo geradas o tempo todo.
A segurança do Pontíficie - a chamada guarda suíça - ficará na casa onde o Papa se hospedará, no Sumaré, e dentro dos veículos e ainda será responsável pela operação do sistema de rádio especial. Em todos os lugares onde o Papa estará, em circuito fechado, serão feitas varreduras pela PF. Para todos os eventos, o Papa terá, segundo Perri, um hospital de referência à sua disposição.
O helicóptero biturbinado Puma, de fabricação francesa e exclusivo da Aeronáutica, com uma unidade de tratamento intensivo (UTI) a bordo, seguirá o Papa por toda a sua trajetória e ficará baseado no heliponto do 3º Comando Aéreo e Regional (Comar), no Centro. A UTI do helicóptero é equipada com aparelhos de reanimação cardíaca. Duas ambulâncias, com UTI, também seguirão o Papa por via terrestre.
A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfaeva) cedeu 46 veículos novos, entre ônibus, avião, carros de passeio e quatro blindados, para acompanhar o Papa. Os blindados serão dirigidos por militares e agentes federais à paisana, treinados em operações de rádio e telefonia. Os dois Papamóveis - um fabricado pela Renault e outro pela General Motors - serão trazidos da Argentina dia 20 de agosto por um avião C-130 da Aeronáutica. O Papa João Paulo II terá à sua disposição um sistema de telefonia imediata com o qual poderá falar, 24 horas por dia, com o Vaticano.


