Pequim, 04 (AE-AP) - Milhares de pessoas reuniram-se na noite desta sexta-feira (04) na Praça Vitória, em Hong Kong, para uma vigília em memória dos mortos no massacre de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), em 4 de junho de 1989.
A ex-colônia britânica, que foi devolvida ao domínio chinês em 1º de julho de 1997, foi o único lugar da China que teve permissão para realizar manifestações pelo 10º aniversário da matança de manifestantes pró-democracia.
As cerca de 50 mil pessoas, que carregavam velas, ouviram músicas que rendiam tributo aos mortos em Pequim e depositaram coroas de flores em volta de um monumento, do artista dinamarquês Jens Galshiot, batizado de "Pilar da Vergonha".
Pouco antes, a polícia prendeu um homem, identificado como Andy Kwong, que jogou um balde de tinta vermelha na escultura de oito metros, que representa 50 rostos desfigurados pela dor, e tem a inscrição: "Como os velhos podem matar os jovens?"
Nas outras regiões da China, as autoridades conseguiram impedir que fossem realizadas manifestações públicas. Em Pequim, foram detidos um homem que distribuía panfletos perto da Praça da Praça da Paz Celestial e outro que abriu um guarda-chuva onde estava escrita a frase: "Relembrem o décimo aniversário do movimento estudantil e devolvam o poder ao povo."
O primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, tentou minimizar a importância do aniversário do massacre durante um encontro com o ministro de Finanças de Hong Kong, Donald Tsang. Indagado por jornalistas sobre o aniversário, Zhu respondeu ironicamente que "quase tinha esquecido" da data e agradeceu por ter sido lembrado.
Oferecendo flores, arroz e vinho, os familiares das vítimas da Praça da Paz Celestial encheram os cemitérios de Pequim sob os olhares atentos dos agentes de segurança.
Mas não houve sinais de protesto pela lembrança das centenas de pessoas mortas quando soldados e tanques dispararam para acabar com a manifestação pró-democracia, que durava sete semanas e espalhava-se por todo o país.
Liderado pelos estudantes, o movimento exigia democracia, o fim da corrupção e da má administração da economia, maior liberdade de imprensa e melhores chances de empregos.
Vários jornalistas estrangeiros foram interrogados rapidamente depois de terem fotografado ou filmado o manifestante com o guarda-chuva.
Para evitar manifestações em Tiananmen, as autoridades tornaram impossível seu acesso com a desculpa de uma reforma. O piso de concreto da praça está sendo trocado por mármore cor-de-rosa e a restauração só deverá ficar pronta em outubro, por ocasião do 50º aniversário da fundação da República Popular da China.
Segundo o Centro de Informações sobre os Direitos Humanos, com sede em Hong Kong, 130 dissidentes foram presos recentemente em relação ao décimo aniversário do massacre de Tiananmen, principalmente em Hangzhu, leste da China, cenário de importantes manifestações de oposição política nos últimos meses.
Em Ulan-Bator, capital da Mongólia, um punhado de pessoas queimou uma bandeira da China perto da embaixada chinesa. Eles exigiam a libertação de ativistas de direitos humanos e liberdade para Mongólia Interior, Província de Xin Jiang e Tibete, as principais regiões de minorias étnicas da China. A bandeira queimada tinha estrelas negras em vez das estrelas douradas, em sinal de luto pelos mortos na Praça da Paz Celestial.

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