Segurança reforçada em Moscou por temor de atentados
Moscou, 14 (AE-AP) - Policiais com coletes à prova de bala ocuparam hoje (14) estações de metrô, feiras livres e outros locais movimentados em Moscou, pedindo a visitantes que provassem ter documentos que os permitiam estar na capital russa.
Tropas de choque levantaram barreiras em todas as rodovias que ligam Moscou com o resto do país, checando documentos e cargas. Em toda a capital, soldados vasculharam porões de prédios e depósitos, buscando por explosivos como os que foram usados para explodir dois prédios de Moscou nos últimos cinco dias, provocando a morte de mais de 210 pessoas.
O primeiro-ministro Vladimir Putin participou nesta terça-feira de sessão fechada da Câmara baixa do Parlamento, a Duma, que se reuniu para discutir os atentados em Moscou e os combates entre tropas russas e militantes islâmicos na república sulista do Daguestão.
Muitos parlamentares vincularam as explosões dos prédios na segunda-feira e na terça-feira da semana passada aos combates no Daguestão, que faz fronteira com a separatista Chechênia. "Chegou a hora de reconhecer que o terrorismo tornou-se um problema nacional da Rússia", disse Putin aos congressistas, segundo agências de notícias russas.
"É claro para nós que tanto no Daguestão quanto em Moscou não estamos lidando com lutadores independentes, mas sim com bem treinados sabotadores internacionais."
Putin pediu por uma "quarentena" ao redor da Chechênia, para interromper o fluxo de armas e militantes islâmicos, e para aplicar "duras sanções econômicas" contra o território. Ele disse que as autoridades chechenas têm de entregar os "bandidos" para a Rússia. "Caso contrário, nós devemos eliminar impiedosamente os bandidos toda vez que eles cruzam a fronteira administrativa chechena", afirmou.
Forças de segurança promoveram uma operação pente-fino em busca de suspeitos do atentado de segunda-feira em Moscou, a quarta grande explosão na Rússia nas últimas duas semanas, enquanto equipes de resgate completavam a busca por corpos. Até a tarde de hoje, o número de mortos havia subido para 118, incluindo 12 crianças, informou o Ministério para Situações Emergenciais. Noventa e três pessoas foram mortas na explosão da terça-feira.
Ninguém assumiu responsabilidade pelos atentados, que a polícia suspeita foram cometidos com bombas. Mas a polícia se concentrou na busca de homens de pele escura que seriam originários da região sulista caucasiana.
Policiais os pararam em passagens do metrô e feiras livres, estações de trem e esquinas cheias de pedestres. A polícia multou alguns que não tinham prova de registro em Moscou e deteve outros.
Viktor Zakharov liderou um comando de 150 policiais que promoveu uma batida de quatro horas numa feira livre no norte de Moscou. Ele disse que seus homens detiveram 540 pessoas que não tinha documentos de registro. "Nenhum podia dizer o que fazia depois da feira", afirmou ele ameaçadoramente.
A polícia vasculhou geladeiras, porta-malas de carros e sacolas. Em algumas feiras, eles procuraram por sacos de açúcar, com o qual substâncias explosivas podem ser misturadas.
Mas Putin, em suas declarações no parlamento, advertiu contra "todo tipo de represálias e prisões com base na origem étnica".
"Existem suficientes chechenos civilizados (em Moscou) que querem, não menos que nós russos, que as coisas sejam acertadas em sua terra-natal", disse.
A polícia anunciou hoje ter detido três suspeitos de terem ligação com as explosões. Dois dos detidos eram proprietários de companhias que tinha escritório no térreo de um dos prédios destruídos.
A polícia divulgou os retratos falados e fotografias de três outros suspeitos de envolvimento nos atentados, incluindo um homem que teria alugado espaços nos dois prédios.
O líder do Partido Comunista Gennady Zyuganov afirmou hoje numa entrevista coletiva ter visto o esboço de um plano preparado pelo pessoal do presidente Boris Yeltsin para a decretação do estado de emergência em vista das explosões.
Opositores de Yeltsin têm denunciado por meses que o presidente está procurando uma desculpa para assumir poderes emergenciais a fim de cancelar as próximas eleições parlamentares.
Assessores do Kremlin rechaçaram as acusações. O vice-chefe do gabinete de Yeltsin, Igor Shabdurasulov, classificou os comentários de Zyuganov de "delírio". Putin garantiu a jornalistas que "não é necessário introduzir estado de emergência", segundo a agências de notícias russa Interfax.





