O delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, pretende convocar os sem-terra apresentados como testemunhas da morte do assentado Sebastião da Maia, para fazer o reconhecimento do cerqueiro (construtor de cercas) José Luiz Carneiro, 52 anos. Carneiro trabalhava como segurança na Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, e estava desaparecido desde terça-feira, após o assassinato de Maia, ocorrido próximo à sede da propriedade. Anteontem à tarde ele reapareceu e prestou depoimento a Canhoto, negando qualquer envolvimento com o crime.
Carneiro disse ao delegado que não estava próximo do local onde ocorreu o disparo que atingiu Maia e que, assustado com a ação dos sem-terra que reocuparam a propriedade, ficou quatro dias escondido no meio do mato. Segundo Canhoto, o segurança confirmou também que era contratado pelos donos da propriedade para refazer as cercas da fazenda.
Segundo o delegado, Carneiro não quis falar mais nada à polícia e pretende se pronunciar sobre o que aconteceu na área apenas em juízo. O mesmo posicionamento foi adotado pelos outros cinco seguranças presos pela polícia no dia do crime. Nenhum deles foi reconhecido pelas testemunhas como sendo o autor do homicídio.
Para a polícia, Carneiro é o principal suspeito pela morte de Maia, já que dos 10 seguranças contratados para guardar a propriedade foi o único que desapareceu. Os outros cinco, que continuam presos na cadeia de Paranavaí, podem ser liberados no início da semana. Hoje a polícia volta à região para dar continuidade aos trabalhos de investigação da morte do assentado. O ouvidor agrário nacional, José Gersino da Silva Filho, também prometeu voltar a Querência do Norte esta semana, para tentar agilizar a identificação dos responsáveis pelo assassinato. (Marcos Zanatta, de Maringá)

mockup